terça-feira, 22 de março de 2011

A DECADÊNCIA DO ENSINO DAS ARTES PLÁSTICAS NO BRASIL


No inicio do século passado, o Brasil tentou reagir aos antigos métodos de ensino da Arte, trazidos da Europa por mestres de grandes escolas - tentando entrar na modernidade européia, que também era resultante do ensino dos antigos mestres - uma grande contradição. O momento vivenciado não ajudou a desenvolver nenhuma “nova escola”, por outro lado, incentivou a imitação dos movimentos de arte contemporâneos da Europa, copiando e adotando formas e padrões de outros artistas, como regra determinante. A modernidade artística, ocorrida no Brasil, se estabelece praticamente por um processo inseguro e apressado, em face aos momentos políticos e financeiros que o Brasil passava na época. As primeiras Escolas de Belas Artes do Brasil foram criadas a partir de tecnologias desenvolvidas em Escolas da Europa, seguindo um vasto conhecimento metodológico, amadurecido ao longo de séculos, na França, Itália, Espanha, Holanda, Bélgica e Portugal. Estas Escolas brasileiras, no inicio do século, formavam mestres que aprendiam infinitas técnicas de arte, e já estavam nesta época, num processo de transformação e adaptação aos anseios dos artistas brasileiros.


NO BRASIL HAVIA GRANDES ESCOLAS DE BELAS ARTES, COMO: RIO DE JANEIRO, BAHIA, SÃO PAULO E PERNAMBUCO (DESTRUIDA)




É uma pena, que o ensino das Belas Artes no Brasil hoje, esteja à beira do abismo e tecnicamente esvaziado. A sensibilidade artística Contemporânea no Brasil foi corrompida por uma ação persuasiva, dirigida pela hierarquia do poder político-intelectual, introduzindo-se por aventureiros da arte e muitos passaram a dominar a máquina administrativa cultural. Este fato já atravessa décadas e vem reprimindo a opinião publica e induzindo um gosto artístico na percepção do povo. Criam-se muitas forças monopolizadoras, seguidoras e divulgadoras de uma “moda no comportamento estético”, atuando indiscriminadamente na sensibilidade artística e no julgamento estético individual e coletivo (dos brasileiros), atuando como uma catequese imperialista e devastadora, dos tempos atuais. Impõe-se um esvaziamento da lógica e da ética nas reações perceptivas de cada individuo, resultando num conflito da sensibilidade artística, e este fato agora, está sendo visto por muitos analistas como um “conflito estético induzido”. Muitas vezes este comportamento é resultante da pressão regida pela internacionalização da forma de conduta, sendo avaliado também que, culturas com maior poder político e econômico sobrepõem-se a outras menos estruturadas educacionalmente, aumentando a ação imitativa. O efeito desta superposição cultural torna-se mais evidente em paises em desenvolvimento, que por dificuldades econômicas, apresentam uma incapacidade de manter a sua historia e sua personalidade cultural e artística.

Os movimentos de Arte Moderna no Brasil foram desenvolvidos, com o apoio de poderes políticos e econômicos, e muitas razões até se tornaram ocultas para a sociedade, que os engoliu de garganta abaixo sem nenhuma reavaliação. Muitas dessas ações causaram estragos devastadores na evolução cultural do povo e especificamente ao padrão da criação artística no Brasil. Houve uma grande destruição de bons padrões no ensino da arte, já com raízes prestes a fazer brotar uma personalidade brasileira, mas com a chegada da dita modernidade e da ultima ditadura no Brasil, houve uma larga diminuição da liberdade de criação e de raciocínio estético. Os valores que vinham anteriormente se ajustando à classe intelectual do país foram reprimidos intensamente, e as estruturas culturais foram monopolizadas e administradas de forma ditatorial, sem direito a recusa. A Educação no Brasil neste período, não pôde parar para ser avaliada e reestruturada, e gerou modelos estranhos às necessidades brasileiras, germinando metodologias controversas e imperialistas, baseadas em “Plagio de padrões Educacionais de outros paises”. Durante décadas, o Brasil negou-se a reavaliar os fatos decorrentes deste processo, onde a verdadeira necessidade educacional ficou apenas determinada por ideologias e métodos de alguns intelectuais que se afastaram do Brasil para beber nas fontes estrangeiras, ou seja: nas necessidades intelectuais de outras culturas. Seria mais lógico e honesto, buscar o conhecimento científico, desenvolvê-lo no Brasil, trabalhando uma metodologia nova, mas com parâmetros adaptados especificamente as carências existentes no país.


A ARTE BRASILEIRA ESTAVA SENDO REPRESENTADA POR GRANDES MESTRES, COMO: ALMEIDA JUNIOR, BIBIANO SILVA, ALEIJADINHO E PORTINARI.





O ensino das Belas Artes no Brasil foi sucateado e até chegou a ser banalizado, pela reação aos modelos estrangeiros de modernidade, no começo do século passado, os cursos de Belas Artes com formação universitária, foram aos poucos sendo banidos do nosso território, pela força devastadora da “agonia da reforma”, havia uma vontade de imitar os paises em desenvolvimento industrial, fugindo até, a verdadeira lógica destes paises desenvolvidos, que na verdade, nunca acabaram com suas grandes “Academias de Belas Artes”, apesar da existência da Modernidade. Inconscientemente, os valores nacionalistas de arte, foram despejados no “ralo”, e tudo que se havia desenvolvido no Brasil, como personalidade intelectual e artística, cedeu ao domínio dos padrões da “Moda Estética de alguns paises”. Parecia até uma lei irrevogável: Ou se plagia ou não se faz arte!”. Pouco a pouco, o ensino das técnicas já desenvolvidas por artistas e professores de Belas Artes brasileiros, foi sucumbindo-se sob a pressão dos padrões monopolizadores desta moda estética. Foram criados métodos de ensino alienígenas, que aos poucos foram adotados, sacramentados e impostos pelo sistema educacional brasileiro, e a maioria dos professores de Belas Artes seguiram este processo de robotização sob pena de ficar antiquado, perante a nova sociedade ou “cultura dos plágios”. Os Grandes Mestres da Pintura e da Escultura do Brasil foram enterrados vivos, abandonou-se verdadeiras obras de arte, tiraram da mídia todo e qualquer artista que não seguia a “falsa modernidade brasileira”, os monopolizadores da nova cultura brasileira, impuseram a substituição do verdadeiros mestres da arte brasileira, pelos plagiadores de arte européia, negando uma obra de grande força estética já existente,  reverenciando apenas os que fizeram parte da Semana de Arte de 1922. Os grandes pintores, escultores e gravadores de todo o Brasil, que não estavam nesta adesão, foram escondidos da mídia, e continuam até os dias de hoje, como malditos na sociedade moderna brasileira.

O avassalador poder da última “Ditadura”, negou ao povo brasileiro, a espontaneidade do aprendizado natural da Arte, pois endossou a falsa modernidade brasileira, e conjuntamente a isto, trouxe o desespero da perseguição aos intelectuais, esvaziou a personalidade educacional artística e deixou seqüelas irremediáveis. Dentro deste desespero da guerra social e política brasileira, surgiu um novo parâmetro de leis e decretos, que passaria a reger o aprendizado das Artes Plásticas no Brasil, criando-se novos cursos que substituiriam os antigos, que já eram suficientes para a formação artística nacional. Os “Bacharelados em Belas Artes” foram substituídos por outros como a “Licenciatura em Artes Plástica” e a “ Licenciatura em Desenho e Plástica”, e apesar destes sistemas serem indicados propriamente ao acréscimo do conteúdo teórico no ensino pedagógico, substituiriam totalmente os cursos que formavam Artistas, com a prática de Arte nos Ateliês. Ficando a sociedade, então, sem a formação Artística de níveo Superior, o que foi maravilhoso para o “poder da Ditadura”, enfraquecendo amplamente a capacidade de discernimento do povo, com o afastamento dos Artistas Plásticos das Universidades.  “O que vale a pena ressaltar, é que, os fatos não foram por acaso, pois: “as artes plásticas, trabalham a sensibilidade do individuo, com símbolos e ícones, com infinito poder de comunicação e com certeza, passariam informações ideológicas ao povo com muita velocidade”. Entre a década de sessenta e a década de oitenta, começou a ocorrer uma falência total do ensino das Artes Plásticas no Brasil, estimulou-se a mediocridade artística, conjuntamente com o plagio e o autodidatismo. Criou-se então uma “organização oculta”, na administração de órgãos culturais, que foi aos poucos monopolizando as normas de estética do país, que antes mantinham um profundo valor semântico de comunicação, passou a dar lugar a uma abertura maciça de “artes” desprovidas de informações ideológicas, que satisfaziam perfeitamente ao sistema da ditadura (os primeiros conceitos de arte contemporânea).



A GRANDE CULTURA DOS PLÁGIOS, FOI OFICIALIZADA NA ARTE CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA





A formação desenvolvida na “Licenciatura em Artes Plásticas” era utópica, pois a maioria dos formandos não possuíam capacidade prática nas artes plásticas e assumiam a responsabilidade de ensinar a prática das Artes Plásticas nas Escolas, sem quase nenhum conhecimento do assunto, visto que, a maioria dependia apenas de receitas e normas teóricas aplicadas, oriundas de ideologias personalizadas, discutidas em salas das universidades. As aulas de artes perfaziam um processo de esvaziamento dos métodos práticos (ateliês), partindo de uma lavagem cerebral, que buscava exterminar os sentimentos naturais da arte, quebrando totalmente a “ansiedade criativa dos alunos”, trocando o conteúdo teórico-prático por uma tempestade de conceitos de educação artística totalmente afastada da “Produção Artística Manual”. A maioria destas aulas objetivavam conduzir o aluno para uma fantasia, ou seja, prometiam aprender arte sem praticar. Da década de oitenta aos dias atuais, 80% dos professores de Artes Plásticas no Brasil, foram impulsionados pela metodologia criada na ditadura (teoria e plagio), e muitos não sabem desenhar, pintar, gravar, esculpir, etc. e lhes sobram apenas dados repassados por outros, que por ordem natural, não os ajudaram a dominar a pratica das artes. Uma imensa dissonância no ensino das Artes do Brasil, pois não temos agora, nos dias atuais, professores com competência prática das Artes Plásticas, para a atuação que exigem as próprias disciplinas do Primeiro Grau. As falhas deixadas pela ditadura na educação estão mascaradas, e agora andam por baixo de armaduras, proibidas de mostrar as suas faces, sabe-se que existem, mas ninguém as assume ou se arrisca a denunciar.  A Ditadura gerou uma centena de decadências no ensino brasileiro para a formação artística, e é uma vergonha para o país tentar se pronunciar como “grande potencia”, depois de ter destruído totalmente a estrutura intelectual do povo. Atualmente o Ministério de Educação criou a maior das redundâncias no ensino brasileiro, transformou a Licenciatura em Artes Plásticas em Licenciatura em Artes Visuais, que é apenas, um requisito para a existência das artes plásticas (VER, TOCAR E PLASMAR), fato que deixa bem claro a incompetência profissional na área, pois para não deixar-se desdobrar a devastadora verdade sobre o ensino das artes Plástica no Brasil, criou-se uma nova nomenclatura para o aprendizado das artes plásticas (Artes Visuais), misturando-se a outras áreas profissionais, camuflando os erros e as aberrações administrativas do ensino e a falta de lógica, demasiadamente visível nos últimos anos.  Só que, estas decisões feitas, à toque de caixa, como é comum no Brasil, vão levar a profissionalização Artística no Brasil a um caos sem volta.

Como já não bastassem as aventuras do ensino da arte quando as escolas tinham que colocar professores, extremamente alheios ao conhecimento das artes, para suprir as carências oriundas da péssima formação nas Artes Plásticas, e as necessidades de conteúdos esquecidas, e aplicadas apenas com métodos teóricos, agora será ainda pior, pois o ajustamento intelectual da juventude já está se processando por um padrão da mídia, onde não se irá acrescentar muito ao aprendizado destas crianças e adolescentes, e a tentativa de inserir centenas de teorias nas cabeças destes alunos, nunca alcançará mais que 5% de conceitos em sua formação. Se não houver uma reavaliação, no ensino das Artes Plásticas no Brasil e se não procurarmos fazer uma analise profunda, junta com professores que não estão presos a este sistema imperialista, junto a pesquisadores que reconhecem os erros cometidos no passado, afastando a corrupção administrativa da educação brasileira, nada poderá ter resultado positivo, e o ensino da arte no Brasil, será apenas um rosto sem personalidade, sujeito apenas às decisões do poderes ocultos da intelectualidade Contemporânea.   


A FORMA DE ARTE QUE IMPUSERAM AOS ALUNOS DE EDUCAÇÃO ARTÍSTICA, ESTAVA LONGE DE TER SENTIDO, ERA SÓ UMA TRANSFERÊNCIA DE OBJETOS, SEM MANIPULAÇÃO PLÁSTICA.





O Brasil continua crescendo e junto com ele o peso da péssima educação, os reflexos da ditadura, os elementos negativos infiltrados na estrutura do sistema educacional do país, são como vírus auto-suficientes, à medida que, se tenta destruí-los, novos vírus se desdobram por meios invisíveis, armados de poder, pois foi por este caminho que a nova estrutura educacional se firmou no Brasil, há mais de quatro décadas, sem nenhuma avaliação justa e sem impedimento. Filhos da Ditadura preenchem os Órgãos Culturais do Brasil, indivíduos muitas vezes incompetentes na área das Belas Artes (Artes Plásticas), escondem em suas mascaras, seus grandes poderes, ditando a “Moda na Educação da Arte no Brasil”, como se a moda fosse a base para o ensino Acadêmico nas Universidades do Mundo. Uma tragédia, pois a “Moda” tornou-se um “quinto elemento” de força, na intelectualidade brasileira, fato assumido no começo do século passado, como uma paranóia oficial. Hoje, no país, existe até Moda para a “Universalidade da Ciência das Artes”, que antes foi criada a partir da liberdade da pesquisa e do conhecimento. Nunca se viu na maioria dos paises do mundo, uma “Universidade Ideológica”, pois aqui, é a única morada deste sistema, talvez seja o “Final dos Tempos da Educação no Brasil” ou o “Demônio da Ditadura que ainda está vivendo na alma de muitos brasileiros”.

Hoje, é muito comum no Brasil, escutar da boca de Artistas Plásticas, a seguinte frase: “Eu jamais aprenderia Artes Plásticas em uma Universidade Brasileira, pois jamais poderia desenvolver o que faço, com os professores de Arte de hoje, que não sabem nem desenhar e nem pintar!” Alunos de varias Universidades brasileiras já se dizem arrependidos, quando descobrem que os cursos de Artes Visuais, já não os preenchem de conhecimentos práticos da arte, e tudo o que resta a fazer é tentar descobrir a prática da arte por si só, e para tal, estes não precisariam de Universidade.  Quase 50 % dos alunos que estão realizando estes cursos irão abandoná-los antes do seu término, e o ensino das artes vai continuar o seu ciclo de decadência, vivenciando uma arte sem prática e sem estímulo. O conflito existente entre os alunos do primeiro e o segundo grau é muito grande, pois individualmente eles necessitam de arte, de meios para descarregar as suas ansiedades intelectuais, e as experiências que tiveram foram apenas superficiais, em termos de praticas artísticas, as receitas trazidas pelos “professores mal formados” lhes deram, insegurança de valores estéticos, pois em certas escolas tiveram que ver “aberrações e mutilações de arte conceitual” como se fosse uma expressão de verdadeira arte. Desta forma, estes alunos, passaram a buscar uma expressão mais pura de arte através do ímpeto autodidata, fazendo grafites nas paredes, copiando as revistas em quadrinhos e criando personagens que lhes dariam mais lógica de arte do que as visitações aos monturos, mausoléus pornográficos e necromaníacos, existentes nas galerias e museus dos órgãos públicos do Brasil. 


INDUZIRAM OS ALUNOS DA EDUCAÇÃO ARTÍSTICA BRASILEIRA, A UMA EXPRESSÃO QUE CHAMARAM DE ARTE CONCEITUAL, QUE GEROU APENAS CONFLITOS PARA ELES, PARECIA MAIS UM ESTADO DE DESEQUILIBRIO MENTAL E UM CULTO A PORNOGRAFIA.





O inferno apocalíptico vivido na sensibilidade artística do povo brasileiro, possui como herança, dois problemas graves: “a Decadência do ensino das Artes Plásticas e a adoção do Imperialismo da Moda Estética”. O gosto do povo brasileiro passa a ser menos autêntico do que o de muitos paises, porque a formação artística lhes foi negada e o poder de decidir o prazer estético lhes foi arrancado. A sociedade brasileira vive um mundo de ilusões, pois os ânimos artísticos são bloqueados logo cedo, os padrões impostos pela educação artística atual, geram uma cultura hipócrita, e a sensibilidade estética do cidadão se desenvolve naturalmente por um caminho paralelo à educação oficial de arte. Hoje ensinam-lhes que só devem seguir os moldes de arte das “escolas conceituais e das bienais internacionais”, mas para a maioria do povo, é bastante obvio não ter sentido artístico, já que os valores são impostos por ditaduras oficiais com modelos contemporâneos, aberrantes e deprimentes em relação a beleza natural, agredindo a sensibilidade espontânea. Sendo assim, o Brasil é um dos poucos paises do mundo a manter uma ditadura institucionalizada de padrões artísticos, a deturpação intelectual é muito visível para todos e só resta uma conclusão: a liberdade de expressão em nosso país não existe, ou se faz uma arte que é imposta pelo monopólio institucionalizado ou não se considera essa arte como verdadeira. Sendo assim: salve o artista plástico autodidata, aquele que não segue as normas oficiais do Brasil, pois poderá ser um grande representante da Arte Brasileira, por que: “O ENSINO DA ARTE NO BRASIL ESTÁ EM DECADÊNCIA!”

MUITAS ATIVIDADES DE ARTE JÁ ESTAVAM LONGE DE SEREM PLÁSTICAS, JÁ HAVIA UMA INFINIDADE DE EXPRESSÕES, ERAM MUITAS AVENTURAS, PORÉM, PARA PROTEGER  AS ABERRAÇÕES MUDARAM O NOME PARA, ARTES VISUAIS.


terça-feira, 29 de dezembro de 2009

QUANDO NÃO SE REFLETE, SE ENGOLE: NO BRASIL A ARTE MODERNA FOI POSTA EM PRÁTICA ATRAVÉS DE UMA DITADURA FORMALIZADA NA BURGUESIA, COM APOIO POLÍTICO.

O QUE A SEMANA DE ARTE MODERNA DE SÃO PAULO EM 1922, REPRESENTOU NO PANORAMA CULTURAL DO PAÍS?!? TERÁ SIDO APENAS MAIS UM ENGODO, FORMALIZADO COM AS ARTEMANHAS POLÍTICAS DO BRASIL?!?


SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922

Foi uma mostra do que imaginavam ser revolucionário no campo das artes e uma tentativa de mostrar a expressão do povo, em sua linguagem e sua cultura, assim foi realizada a Semana de Arte Moderna de 22. Encontro marcado com a alta sociedade do Estado de São Paulo.

Dentre os participantes, destacam-se: na literatura, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Ronald de Carvalho, Manuel Bandeira, Menotti del Picchia, Graça Aranha e outros. Nas artes plásticas sobressaem pintores como Di Cavalcanti, Anita Malfatti, e no campo da escultura, Vítor Brecheret. Muitos artistas da época não participaram deste evento, pois se tratava de um encontro da burguesia Paulista.

A maior expressão da música de vanguarda do Modernismo no Brasil é Heitor Villa-Lobos. A Semana de Arte Moderna insere-se num quadro mais amplo da realidade brasileira. Vários historiadores já a relacionaram com a “revolta tenentista” e com a “criação do Partido Comunista”, ambas de 1922. Embora as aproximações não sejam imediatas, foi visível o desejo de mudanças que acontecia no país, tanto no campo artístico, como no campo político.

Um dos equívocos mais freqüentes das análises da Semana de 22, consiste em identificá-la com os valores de uma classe média emergente. Ela foi patrocinada pela elite agrária paulista. E os princípios nela expostos adaptavam-se às necessidades da “refinada oligarquia do café”. Umas oligarquias cosmopolitas, cujos filhos estudavam na Europa e lá entravam em contato com o dito "moderno". Uma oligarquia desejosa de se diferenciar culturalmente dos grupos sociais. Enfim, uma classe que encontrava no jogo europeísmo (adoção do "último grito" europeu) - primitivismo (valorização das origens nacionais) - que marcaria a primeira fase modernista – a expressão contraditória de suas aspirações ideológicas.

Outro equívoco é considerar o movimento como essencialmente anti-burguês. O poema Ode ao burguês, de Mário de Andrade, e alguns escritos de outros participantes da Semana podem levar a esta conclusão. Mas nunca podemos esquecer que a burguesia rural apoiou os renovadores. E, além disso, toda crítica dirigia-se a um tipo de “burguesia urbana”, composta geralmente de imigrantes, inculta, limitada em seus projetos, sem grandeza histórica, ao contrário das camadas cafeicultoras, cujo nível de refinamento cultural e social era muito maior. Neste caso, os modernistas se comportam como aqueles velhos aristocratas que menosprezam a mediocridade dos "novos-ricos".
NA REALIDADE O QUE SE PASSOU FOI UM GRANDE PLAGIO

Paul Cezanne

Anita Malfatti

OBJETIVOS DA SEMANA DE ARTE MODERNA

- Contra o passadismo – como diz Aníbal Machado: “Não sabemos definir o que queremos, mas sabemos discernir o que não queremos”;
- Contra a rigidez formal, o hermetismo, o culto de rimas, o verso perfeito dos parnasianos;
- Contra a oratória, a eloqüência, a linguagem classicizante; procura de uma linguagem mais coloquial, mais próxima da língua falada;
- Contra o tradicional acadêmico;
- Seguindo fundamentalmente três preceitos: direito à pesquisa; estabelecimento de uma consciência nacional; atualização da inteligência artística brasileira.

A importância estética da Semana de 22 é realizada por jovens inexperientes, sob o domínio de doutrinas européias nem sempre bem assimiladas, conforme acentuam alguns críticos, ela significa também o atestado de óbito da arte dominante. O academicismo plástico, o romantismo musical e o parnasianismo literário esboroam-se por inteiro. Assumi-se a destruição da academia de Belas Artes, já sendo conduzida por mestres brasileiros, abala-se a estrutura da arte brasileira em seu potencial, apenas para satisfazer a euforia de uma minoria que dominava a mídia e a política no centro sul do Brasil, e estava de amores com as modas na arte européia.

OS ESTILOS ERAM COPIADOS DA EUROPA
Henri Rousseau

Tarsila do Amaral

Ela cumpriu a função de qualquer vanguarda: exterminar o passado e limpar o terreno. É possível, por outro lado, que a Semana de 22 não tenha se convertido no fato mais importante da cultura brasileira, como queriam muitos de seus integrantes. Há dentro dela, e no período que a sucede imediatamente (1922-1930), certa ironia superficial e enorme confusão no plano das idéias. Com efeito, os autores que organizaram a Semana colocaram a renovação estética acima de outras preocupações importantes. As questões da arte são sempre remetidas para a esfera técnica e para os problemas da linguagem e da expressão. O principal inimigo eram as formas artísticas do passado. Matar o passado para se vangloriar das mudanças culturais, que nunca aconteceram na verdade, ficou apenas a irônica modernidade fabricada, que não aconteceu, apenas, foi imposta por grupos dominantes, coisa que sempre foi comum no Brasil. Agora, com o passar dos tempos, pode-se refletir melhor, sobre a grande bobagem que foi esta Semana de 1922, pois atrasou a evolução da cultura artística nacional em décadas, e o Brasil ainda hoje, é viciado em plagiar a arte estrangeira.

A arte no Brasil, nunca esteve dependente desta casual Semana de 1922, mal compreendia pela maioria dos brasileiros, pois muitos dos grandes artistas modernos do Brasil não tiveram nenhuma ligação com tal fato, esta idéia foi proposta para, atualizar a intelectualidade brasileira em relação à Europa, mas pouco trouxe para a arte a não ser a mentalidade política de dominação cultural. Porém, tal processo, não elevou o valor da Arte como se imagina e não tardou a repetir-se o fato, com a criação da Bienal de Arte de São Paulo, onde se fez continuar “os monopólios na arte brasileira”.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

FARSA EM CIMA DE FARSA, EIS A QUESTÃO DA ARTE NO BRASIL. MERCADO MORTO PARA OS ARTISTAS PLÁSTICOS, O PIOR VIRÁ!


A DESGRAÇA DA CULTURA, ESTÁ OFICIALIZADA. O POVO JÁ VIVE UM DILEMA: SE TUDO É ARTE, ENTÃO PARA QUE ARTE?


São poucos que tentam falar sobre o que ver e dizer o que sente, pois a grande TEMPESTADE DE IDIOTISMO que inunda a mente da sociedade atual anula qualquer possibilidade de evolução. Na arte contemporânea, estamos vendo, principalmente no Brasil, uma guerrilha covarde e oculta, coordenada por elementos intitulados: “responsáveis por setores culturais do País”. Não precisamos ir muito adentro, para se ver a grande manobra que se faz na cultura brasileira, tudo através de órgãos acobertados pelo próprio governo. Tem-se a impressão de que tudo corre bem, mas, quando se investiga a questão a fundo, encontra-se a CARNIÇA ESCONDIDA, por traz de Instituições Públicas, Museus, Universidades e outros Órgãos. Não passa de um imenso cartel, de pessoas aventureiras e artistas frustrados, famintos por empregos de origem eleitoreira ou concursos acobertados, erguendo-se majestosamente em instituições culturais, como diretores, coordenadores, secretários de departamentos ligados diretamente à cultura do país, sangrando a economia do país, levando todas as espécies de vantagens sobre o dinheiro dos impostos do povo brasileiro. A crise da consciência artística é mundial, mas se podermos apenas, ver o que está acontecendo no Brasil, já se poderia salvar uma grande quantidade de almas, “a condenação ao extermínio”, pois quem levará a pior, são os bons artistas, intelectuais que lutam por uma arte séria, sem farsas e sem hipocrisia.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

EXISTE UMA GRANDE AVALANCHE DE “COISAS”, QUE SÃO COLOCADAS NO ALTAR DA ARTE CONTEMPORÂNEA, APOIADAS POR FORÇAS OCULTAS.


Entrevista com Ferreira Gullar, um dos maiores críticos de arte do Brasil, que foi realizada pela Folha de São Paulo, em 18 de abril de 1993. Ferreira Gullar é autor do livro “Argumentação contra a morte da Arte” e é entre muitos nomes da Intelectualidade Brasileira, quem sabe mostrar a avalanche de porcarias produzidas pelos artistas contemporâneos, e que a nossa sociedade, está sendo imposta a ver e consumir.

Folha - O ponto de partida de sua "Argumentação contra a morte da arte" é a rejeição da idéia de que a arte evolui. Mas não existe de fato um aprimoramento técnico em certas linhagens?

Gullar - O que critico é essa supervalorização da idéia de evolução, que é o princípio da vanguarda. Quer dizer, valores estéticos não contam; só conta a novidade. Acontece que a idéia de vanguarda acabou. Esse princípio da inovação conduziu a um impasse e este aos absurdos que estão aí. Então a arte acabou!? Não há nada de novo para fazer. Claro, falo do novo pelo novo que é uma coisa autofágica. O novo é inerente à grande arte; nenhum poeta digno quer fazer o que já foi feito. Ele tem uma proposta, não quer dizer o que está dito.

Folha - Mas quais seriam esses "valores" estéticos?

Gullar - Permanência. É isso que é arte: a busca de fundar o permanente. Chegou-se, nas últimas décadas, ao cúmulo de criar a "arte do efêmero" do "perecível", o que é uma contradição em termos. O artista busca o permanente para assim motivar a realidade. Vou dar um exemplo. O Ibac está doando obras para o acervo do Museu Nacional de Belas Artes em breve. Outro dia encontramos lá uma coisa, que é um pedaço de ferrolho que era emendado com um pedaço de borracha. Não sei quem é o autor. Que vou fazer? Cadê o pedaço de borracha, como era a emenda? Esses caras negam a permanência da obra de arte, mas eles acreditam na "sublimidade" da arte, em que não acredito absolutamente. É só botar o ferrolho lá, que vem outro cara e escreve uma lauda complicadíssima. Transformamos o mundo de duas maneiras: ou poeticamente ou simbolicamente. Essa gente destrói a linguagem visual, mas consagram a verbal. Que revolução há nisso?

Folha - O público não gosta da arte contemporânea. O problema está nele, que não gosta da arte que exige esforço e conhecimento, ou isso é genuíno?

Gullar - Esse público se divide em dois. Existe o cara de cabeça acadêmica, que ainda não entendeu Picasso, e tenta nos imputar seu preconceito. E existe o outro lado: o cara que chegou a Picasso, Matisse, mas não é um estudioso de arte, não é um teórico, e portanto não entende nada.

Folha - Por que o sr. acha que as artes plástica, especificamente, descambara em tanta fajutice?

Gullar - Não sei. É uma boa pergunta, sempre me indago isso. Em todos os outros campos da atividade artística, o vanguardóide foi superado. Quando a coisa ameaça a própria natureza da expressão, há a percepção disso. todos reconhecem a arte, o gênio de "Finnegans Wake", de Joyce, mas ninguém vai tomar aquilo como exemplo, como modelo. Por que na pintura não se deu isso? Realmente não sei. Presumo que há um problema institucional. Bienais, centros culturais, os especialista, eles não se lixam para o público. Formam uma gangue, uma seita, que pouco se lixa para a sociedade. E o Estado paga isso; não entendo.

Folha - O que o sr. pensa "dois" gurus: um da geração anterior, Hélio Oiticica, outros desta, Cildo Meireles?

Gullar - Acho que exageram a importância de Hélio Oiticica. Ele foi vítima de um radicalismo; não é por acaso que se entregou às drogas no fim da vida. Lygia Clark foi mais importante, apesar de todo o talento do meu amigo Hélio. Os "Parangolés" só existem como teoria. Eu fui um desses teóricos, até que um dia senti um vazio debaixo dos pés. Cildo Meireles também tem talento. Vi uma instalação dele no começo da carreira que era bem interessante, criava uma atmosfera forte, tinha subjetividade. Mas das últimas coisas não gosto, não. Esse cerebralismo duchampiano teve sentido em determinada época, mas subsiste como arte.

A VERDADE NÃO SE APAGA E A LÓGICA NUNCA É DESTRUIDA, A ARTE CONTEMPORÂNEA É VISIVELMENTE UMA ANEDOTA, UMA FARSA DIANTE DO GOSTO DA HUMANIDADE.


Para termos uma pequena demonstração sobre a decadência das propostas artísticas de hoje, ao ouvirmos palavras de pessoas de grande potencial analítico e opiniões de grandes críticos de arte, chegamos a crer, que na atualidade, existe um desvio completo na percepção dos indivíduos da sociedade. Um mecanismo sem total coerência que leva ao entorpecimento de indivíduos da era da computação. Mostramos aqui, entre muitas opiniões existentes, a “falha intelectual da nova sociedade”, uma prova de que existe algo podre no ar. Mostramos aqui, uma entrevista, realizada pela Revista Veja, em 25 de abril de 2007, com o australiano Robert Hughes, de 68 anos, o mais conhecido crítico de arte vivo. Por três décadas, ele foi editor da revista americana Time. De Nova York, onde vive com a mulher, a pintora Doris Downes, Hughes concedeu uma entrevista em que exalta os mestres do passado, condena o mercado de arte de hoje e fala sobre seu acidente.

Veja – O senhor escreveu sobre assuntos tão variados quanto a arquitetura de Barcelona e a história da Austrália, mas o único artista ao qual devotou um livro individualmente foi Goya. Por que ele é tão especial?

Hughes – Como todo grande artista, o primeiro dado essencial sobre Goya é que sua obra extrapola seu tempo. Por meio de sua trajetória e de suas idéias, pode-se entender melhor a história da Espanha e da Europa. Mas não só. Mais que qualquer outro pintor, Goya nos permite obter um conhecimento profundo da natureza dos sentimentos e da idéia de justiça, assim como de seus reversos, a injustiça e a crueldade. Nós vivemos num mundo de ironias extremas e de paixões e agressões tão desatinadas quanto as de que trata Goya. A loucura de que ele nos fala é universal e atemporal. Apesar de representar tanto para a arte, ainda faltava um livro que o alçasse à sua devida dimensão. Julguei que era uma tarefa importante fazê-lo.

Veja – O senhor concebeu a obra quando se recuperava de um acidente de carro quase fatal que sofreu em seu país, a Austrália. De que forma isso o influenciou?

Hughes – Volta e meia, sou acometido por vívidas recordações daquilo que se passou em minha cabeça naqueles dias difíceis. Tive alucinações e sonhos absurdos. Se fosse um pintor, certamente teria vasto material para me inspirar. Eu renasci depois do acidente. Ele me levou a conhecer a experiência da dor. E também a sentir o medo da morte como algo concreto. Isso tudo sem dúvida se refletiu no livro. Hoje, acredito que um escritor que não conhecesse o medo, a dor e o desespero não teria uma visão completa do universo de Goya. Não estou dizendo, é óbvio, que seja necessário quase perder a vida num acidente para entender um artista. Mas isso certamente facilitou a apreciação da matéria-prima de sua obra, o sofrimento.

Veja – Em seu recém-publicado volume de memórias, o senhor conta como uma viagem a Florença durante a enchente que destruiu boa parte da cidade italiana e de seus tesouros, em 1966, fixou sua crença no valor do passado para a arte. Por que chegou a essa conclusão?

Hughes – Em Florença, vivi a experiência de encontrar destroços de peças renascentistas em meio à lama, uma tragédia que me fez compreender de uma vez por todas que aquilo que foi criado no período de ouro da arte é insubstituível. Não apenas porque não se poderiam refazer tais obras. Vivemos numa era muito pobre em matéria de artes visuais. Hoje se podem encontrar bons escultores e pintores, mas a idéia de que a arte atual possa um dia se igualar às enormes realizações do passado é um disparate. Nenhuma pessoa séria, por mais que se empolgue com a arte contemporânea, poderia acreditar que ela um dia será comparada àquilo que foi feito entre os séculos XVI e XIX.

Veja – Como as pessoas podem se relacionar com a obra dos grandes pintores do passado?

Hughes – Olhando para o que eles produziram. Aprendendo a entender e a amar sua arte. Os mestres da pintura se relacionam a nós da mesma forma que as grandes obras literárias e as composições musicais do passado. Como o homem atual pode se relacionar com Cervantes? Por meio da leitura de sua obra. Dom Quixote continuará sendo uma história contemporânea em qualquer tempo e lugar. É preciso ter em mente que a arte é feita antes de tudo para deliciar os olhos e o espírito. É por meio desse apelo intuitivo que ela nos arrebata e conduz, no fim das contas, a um conhecimento mais profundo de nossa natureza.

Veja – Qual o papel das artes plásticas na formação cultural de uma pessoa?

Hughes - Não recomendo que se olhe para os grandes artistas com o intuito de atingir um nível cultural superior, pois, como já disse, o objetivo maior da arte é dar prazer. Mas posso falar de seu caráter enriquecedor pela minha própria experiência. Muito antes de eu me tornar um crítico, a arte desempenhou um papel fundamental em minha vida, na medida em que me fez entender certas questões existenciais mais claramente do que qualquer livro ou aula teórica o fariam. Seria um exagero dizer que se pode educar alguém por meio da arte. Mas ela é capaz de fazer de nós pessoas melhores e mostrar que existem muitos mundos além do nosso umbigo.

Veja – Certas correntes do modernismo difundiram a idéia de que o passado é um peso do qual a arte precisa se livrar. O que o senhor pensa disso?

Hughes – A noção de que há uma oposição entre o presente e o passado é estúpida. Trata-se de uma deturpação vulgar do ideário modernista de primeira hora. Ele consistia em questionar o tradicionalismo, mas não a herança dos antigos mestres. Os futuristas italianos, é verdade, chegaram a propor a destruição das obras de arte criadas no passado – como se fosse possível apagar sua influência apenas com sua extinção por meios físicos. Mas o fato é que toda arte digna de nota feita no século XX se baseou no passado. Os modernistas que realmente importam, como Matisse e Picasso, nunca se pautaram por sua rejeição. Muito pelo contrário: as fontes de que extraíram sua inspiração foram os artistas da Renascença e do século XVIII.

Veja – O senhor teve contato pessoal com artistas como o americano Andy Warhol. Quais suas impressões dele?

Hughes – Warhol foi uma das pessoas mais chatas que já conheci, pois era do tipo que não tinha nada a dizer. Sua obra também não me toca. Ele até produziu coisas relevantes no começo dos anos 60. Mas, no geral, não tenho dúvida de que é a reputação mais ridiculamente superestimada do século XX.

Veja – E quanto ao francês Marcel Duchamp?

Hughes – Foi um prazer conhecê-lo, embora certamente não seja o primeiro artista em minha lista dos mais importantes de sua época. Sua elevação à condição de figura nunca me convenceu. Já vi de perto todos os trabalhos que ele fez e nunca obtive nenhum prazer com eles. Duchamp não foi um grande artista, e sim um homem de idéias notáveis. Pessoalmente, prefiro um pintor como o francês Pierre Bonnard. Muita gente considera Duchamp um deus e Bonnard um impressionista enfadonho. Mas eu gostaria muito mais de ter em casa um de seus belos quadros do que um trabalho de Duchamp. Além disso, a influência de Duchamp sobre a arte contemporânea foi liberadora, mas também catastrófica.

Veja – Por quê?

Hughes – Porque ser o pai dessa bobagem chamada arte conceitual não é uma distinção de que se orgulhar. Para compreender o tamanho do estrago, basta dizer que sem ele hoje não haveria as chamadas instalações, aquelas obras tolas em que o espectador é convidado a passar por túneis e outros recursos infantis. Ou precisa ler uma bula para entender o que o artista quis dizer.

Veja – Nos últimos anos, obras de grandes artistas atingiram preços astronômicos em leilões. O que explica que se paguem 104 milhões de dólares por uma tela de Picasso?

Hughes – Francamente, não consigo imaginar uma boa razão. Os preços se tornaram tão obscenos e sem sentido que, a meu ver, só podem ser resultado de algum tipo de doença social. As pessoas que se sujeitam a pagar tanto por um quadro são movidas por motivações ridículas, como ostentar seu prestígio e poder. Não compactuo com essa insanidade.

Veja – Não há arte que valha tanto assim?

Hughes – Para mim, nem a maior obra-prima. A supervalorização atende aos interesses de certos marchands e colecionadores, mas é danosa para a arte. Passa-se a valorizar um artista ou tendência em função de seu cacife no mercado, e não da importância de suas realizações. Além disso, sua transformação em bem de consumo de luxo muitas vezes dificulta que um dia o grande público possa contemplá-las em museus.

Veja – Nas últimas décadas, o interesse pelas artes plásticas parece ter diminuído – desde sua saída da Time, por exemplo, a revista não tem dado o mesmo destaque ao tema. A arte perdeu sua centralidade?

Hughes – É triste, mas o fato de as pessoas terem obsessão pelos altos preços pagos por quadros famosos não significa que elas queiram saber algo mais sobre arte em si. Ela passou a ser vista apenas como um item a mais no cardápio do entretenimento, como as atrações do cinema e da TV. E também a ser avaliada com base nos mesmos parâmetros. Fala-se de um artista não por sua relevância, e sim pelo valor que suas obras atingem – como se fosse o orçamento milionário de um filme. Ou então por sua popularidade – como se fosse o índice de audiência de um programa.

Veja - É uma visão distorcida.

Hughes – É claro que sim. Daqui a vinte anos, veremos quanto se pagará pelas obras de um sujeito como Hirst – que, aliás, não me interessam nem um pouco. Hirst e outros de sua geração fazem do escândalo uma arma de marketing. Mas um renascentista como Piero della Francesca conseguiu ser radical num nível que ele nunca passou nem perto de alcançar.

Veja – O que o senhor pensa desse esforço dos curadores de museus para transformar as exposições em entretenimento para as massas?

Hughes – Não sou contra o entretenimento, em princípio. Só penso que não é função do museu preocupar-se em produzir eventos com esse fim. Há mostras maravilhosas que calham de ser realmente populares. Só que pode haver outras também maravilhosas, mas que não têm tanto apelo – e é saudável que os museus continuem lhes dando espaço. É impossível determinar a qualidade de uma exposição em função de seu sucesso de público.

Veja – Para alguns especialistas, eventos como as bienais de São Paulo e Veneza tornaram-se obsoletos. O senhor concorda?

Hughes – Não ligo a mínima para bienais, trienais, quadrienais ou coisas que o valham. Elas hoje têm relevância apenas para os negociantes de arte. Por baixo da fachada novidadeira, a maioria desses eventos se transformou em feiras vulgares. Nunca estive na Bienal de São Paulo. Mas a de Veneza eu conheço bem. Alguns anos atrás, fui convidado a colaborar com seus organizadores e me vi em tal pesadelo que renunciei a meu posto. Já que é tudo comércio, melhor deixar para quem entende disso.

Veja – Países relativamente novos como o Brasil e a Austrália estão destinados a ter sempre um papel secundário na arte?

Hughes – Não direi que será sempre assim. Mas eles enfrentam um problema e tanto: não têm controle sobre o mercado. Parece-me inusitado que a Austrália amargue uma presença próxima do zero na arte mundial enquanto qualquer porcaria que se produz na Califórnia logo alcança visibilidade. A atmosfera do circuito internacional de arte é corrupta, já que se vive de criar modismos e falsos novos gênios para faturar. Essa é uma das razões pelas quais eu me aposentei como crítico. Prefiro me concentrar em alguns artistas cujo trabalho realmente importa a ver minhas resenhas sendo usadas para inflar as cotações alheias. O presente, em arte, é sempre um terreno pantanoso e sujeito aos golpes de marketing. Tome-se como exemplo o carnaval que se faz no momento a respeito da arte chinesa. A maior parte do que se convencionou rotular de pós-modernismo chinês é apenas uma empulhação bem promovida pelos marchands e casas de leilões. As vítimas deles são os colecionadores novos-ricos que pululam pelo mundo afora e compram tudo o que vêem pela frente. Eles podem ter dinheiro, mas não passam de idiotas e vítimas da moda.

Veja – Antes de se tornar um crítico, o senhor atuou como cartunista e também pintava. Há alguma verdade no velho clichê de que todo crítico é um artista frustrado?

Hughes – Absolutamente nenhuma. Eu me considero um artista completo, nem um pouco frustrado. Minha arte é escrever. Nunca tive inveja dos artistas nem escrevi nada com o intuito de me vingar deles.

Veja – O senhor coleciona arte?

Hughes – Não, por incrível que pareça. Tenho algumas gravuras de Goya que adquiri ainda na juventude e também telas de minha mulher, Doris. Mas nunca fui um colecionador. E vou lhe dizer por quê: logo descobri que, como crítico, isso não seria ético.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

ARTE ATUAL: CONFLITOS

Na história da evolução da humanidade, sempre existiu uma constante convivência com as artes, das mais rudes as mais sofisticadas civilizações, as artes aparecem na vida dos indivíduos. É nas artes plásticas, onde se consegue ter a maior quantidade de informações sobre as mais antigas culturas, tanto no desenho, como na escrita manual, nas gravuras ou nas esculturas, estão as maiores quantidades de informações culturais dos povos. Nas civilizações, egípcia, persa, fenícia, grega, romana, indiana, tibetana, chinesa, coreana, japonesa, africana, asteca, maia, inca e celta ficaram claros os processos artísticos utilizados pelas antigas sociedades humanas.



Todos os povos antigos fizeram “Arte’, por ser algo de necessidade de sua sobrevivência física e intelectual. Como um ato que estabiliza a estrutura social e a identidade cultural dos indivíduos. Em todas as civilizações existiram os autores e os cultivadores da arte, o que mostra, que o processo, “criador, criação e percepção”, sempre foi universal, e atravessa o tempo, e o espaço. Em todas as culturas, são observados modos de elaboração artística, desenvolvidos pelos artistas, gerando estilos, que apresentam aspectos individuais e coletivos. Os aspectos individuais são gerados pela ação do organismo físico-mental dos artistas e os aspectos coletivos são referencias iconográficas que influenciam os artistas através do contato visual ou através de uma afinidade do mesmo, pelo modo de elaboração de outro artista. A história da criação artística não pode negar a disponibilidade da sensibilidade humana a um referencial icônico do meio (necessidade de arte), pois o ser humano é naturalmente um consumidor de imagens. Sigmund Freud, faz uma relação entre o prazer estético e a libido sexual, como um estimulador primitivo da visão estética, demonstra que a sensibilidade estética é intrínseca ao ser humano, algo que nasceu com ele. Independente das idéias psicológicas, o que é notável, é que, o individuo, quando ainda jovem, tem afinidade com determinadas linguagens artísticas encontradas em seu meio, sejam estas sonoras, corporais ou plásticas, revelando uma pré-disposição sensorial, que o leva a formação de uma identidade intelectual.

A evolução estética no individuo, é idêntica em qualquer época e em qualquer civilização, pois se confrontarmos os desenhos infantis, de crianças do Japão, da África, da Austrália ou da França, observaremos que estas expressam os mesmos sinais arquetípicos, e só passam a apresentar as codificações padronizadas, após o amplo contato com o seu meio social. Daí, podermos concordar, que uma criança egípcia entre 3 e 4 anos de idade, nascida há 5 mil anos antes de cristo, desenhava um rosto com as mesmas características arquetípicas, que desenharia uma criança inglesa hoje, 7 mil anos depois. Este fato, demonstra que a mente, em seu estado sutil inicial, é atemporal e universal, apresenta uma disponibilidade orgânica e não reflete tanto “o processo evolucionista”. Por outro lado, se existir interferências externas no seu estado sensível e espontâneo, ela se comportará mais coletivamente, e aí, já se pode ver alguns sinais de padronização grupal, diminuindo o grau de individualidade na sua expressão gráfica.



Nas artes plásticas, os sinais da personalidade do artista, aumentam ou diminuem de acordo com a influencia de códigos coletivos. Atualmente, vemos que uma “prática mutante” coletiva, está impregnando o comportamento dos artistas, e mais intensamente o comportamento dos artistas das artes da “mais recente vanguarda”. Nota-se também, que as obras de arte, principalmente, as ocidentais ficam presas a certos padrões mutantes e monopolizadores, o que queremos dizer, é que: a arte contemporânea é adotada por alguns, como uma arte que sofre mudanças constantes, que se obriga a ser coletiva, que não tem relação com o passado e mais ainda, afasta a personalidade do autor, e segue uma “regra global de expressão”, que está sempre prestes a mudar. Esta arte de hoje, já vista por muitos, como “caçadora de novos conceitos” ou “charadas visuais”, não demonstra percentuais claros da individualidade do criador, é transformada em atos puramente momentâneos, que são geralmente copiados de “tais padrões em moda”, estimulam um comportamento como os das abelhas e das formigas, repetitivos e submissos aos dogmas das colméias e formigueiros ou seja, dos monopólios intelectuais.



E a Beleza? Seria um comportamento ultrapassado, dos gregos e dos romanos? Sim, se apenas fossemos contar o tempo em que foram produzidas, pela evolução dos dogmas e as mutações espontâneas das idéias humanas. Porém, gregos e romanos, sempre foram referencias para o mundo ocidental, os europeus e suas colônias. E o resto? As civilizações orientais? E as nativas, que não sofreram interferências da evolução ocidental em sua base cultural? Desapareceram? Ou os ocidentais sempre quiseram dominar o mundo da arte? A “Beleza” no resto do mundo, nunca foi presa a evolução ocidental (diga-se: a européia e suas colônias), e a grande parte dos registros culturais da pré-história, não foi nem sequer encontrada na Europa. Estes povos não ficaram condicionados aos dogmas estéticos ocidentais. Somente agora, há alguns anos, com a chegada da globalização dos sistemas de comunicação via Internet, é que começamos a ver, as padronizações estéticas chegando ao resto do mundo. Que imensa falta de liberdade, irão ter os povos não ocidentais daqui pra frente!

Na Índia, no Paquistão, na China, na Rússia, na Coréia, e tantos outros paises, os artistas não estão regidos pela paranóia do regime mutante da “Arte Contemporânea”, que impõe a “moda estética”, como norma inseparável da criação de idéias artísticas do momento atual. Estes valores, ainda não contaminaram muitas culturas orientais, porque a arte para elas, tem um parâmetro mental e espiritual, é atemporal e necessário ao ritmo da própria vida. É na arte, que muitas destas culturas, desenvolvem os seus símbolos religiosos, seus cânones comportamentais, da vida diária e não há sentido para eles usarem a arte como negação da harmonia, pois a arte, a filosofia e a religião dançam a mesma música na sua natureza, regidas pelas forças universais. Desta forma, torna-se patético, querer impor padrões de conceitos de “arte contemporânea ocidental”, a muitas culturas antigas do mundo.



O que está acontecendo na arte do momento contemporâneo, é que a liberdade ficou comprometida, o padrão imposto pelo sistema mutante globalizado, reduziu a individualidade do criador, ele não expressa a sua imaginação pessoal, torna-se um plagiador constante do ambiente, dos variados tipos de atos e formas, indevidamente considerados estéticos. Ele age como se não necessitasse do imaginário da mente, ele atua no ambiente, sem intenção de construir signos, ou seja de manipular a matéria para gerar formas atraentes. Apenas age, como se estivesse no puro realismo do viver cotidiano, sem ser praticamente notado, e logicamente sem estimular conceitos, o que é uma utopia filosófica para os seus criadores, que a chamam de “conceitual”. Por exemplo: ficar diante de pessoas e cortar pedaços do próprio cabelo, urinar no chão, rasgar a própria roupa, ficar despido em publico, fumar um cigarro usado, defecar numa bandeja, comer excrementos, cortar a barriga com uma lamina, vomitar, etc. todos são atos óbvios da vida humana, pode ou não despertar interesse do observador (publico). Estes atos, são considerados pelos artistas conceituais performistas, como novas expressões estéticas, mas na verdade não altera a vida do homem comum, o máximo que pode acontecer é alguém chamar a polícia ou iniciar um processo jurídico, quando se sentir molestado pelo ato destes ditos artistas. Torna-se uma masturbação, pois não existe o outro, ele se contorce em busca de aceitação, mas na maioria das vezes, o público não o nota.




Na “arte contemporânea”, a forma está sendo desconectada do conteúdo, o observador se perde na leitura da obra, e cria idéias desconexas, perde o interesse de analise, e não se formam as mensagens para serem absorvidas pelo raciocínio, não há emoção, pois ele não se transporta para o sonho, o que é normal com a imagem estética, tanto na pintura, na escultura, na dança, no teatro e na poesia, quando a imaginação do público reage, dialogando com sua própria mente; e mais ainda, nesta arte também existe, uma agressão a naturalidade comportamental, afastando o indivíduos da possível relação com o pensamento do autor. A “arte contemporânea”, tida como estilo novo de vida, jamais conseguirá transmitir inteiramente conteúdos, pois em sua maioria, são signos incompletos, quando têm conteúdo (significados), lhes falta forma (significantes), e quando tem forma lhes falta conteúdo, e quando não possui sinais, o publico vai embora e a esquece. Nos últimos anos, a ditadura de expressão chamada “Arte contemporânea”, afetou uma grande parte dos jovens, pois ela cria um canal de fuga irreal, uma referência de auto-determinação que parece segura, que entorpece a cada ano os adolescentes, como um “ópio substituto das drogas usuais”, usadas na tentativa de encontrar uma identidade intelectual. A arte atual (dito conceito imaterial), como modelo psico-social de formação humana, já está sendo usada em várias escolas e universidades, não como um estilo de expressão, algo de livre escolha, mas como uma seita avassaladora da condução do comportamento dos jovens, causando a alienação da consciência. Por outro lado, o gosto pessoal poderá desaparecer, por longo período, e existirão gerações de robotização comportamental, que virão impiedosamente, e apesar de tudo, em grande parte, não é culpa dos movimentos de arte e dos impulsos a novas tendências, mas de uma profunda perda de auto-confiança que já permeia os indivíduos no século 21.

Não se sabe, se vale à pena rever a história, para encontrarmos onde começou esta farta idiotice estética, pois são aproximadamente 50 anos de apelos desesperados pela mudança, de atitude artística, como se isto fosse a salvação das almas desorientadas. Marcel Duchamp, um dia, fez o seu protesto, nem mesmo considerando obra prima, e que apenas, em vez de o colocar na Rua, o colocou numa galeria de arte, em um nicho de força intelectual, pois se o tivesse feito em praça pública, teria sido esquecido para sempre. Sobre a força do objeto tornado símbolo, o próprio Duchamp afirmou, depois do fato consumado: “I threw the urinal in their face and now they come and admire it for its beauty”, “Eu enfiei o urinol na cara deles e agora eles vêm e o admiram por sua beleza”. E Já perto do final da vida, ele declarou: “não tenho muita certeza se o conceito de readymade não foi a única idéia realmente importante saída de minha obra”. A questão é que, no momento do pós-guerra, na recessão social americana, e na busca por soluções racionais da vida na época, o fato foi consumido e ficou eternizado. Aí é que mora o conflito: seria tão fácil se eternizar, em um país sem mídia e sem recursos políticos poderosos? Claro que, o tipo da catedral é que faz o santo ficar conhecido e forte. Ferreira Gullar em entrevista ao Jornal de Brasília (30/07/1993), explica: “Quando Duchamp enviou um urinol a um salão estava realizando um gesto de alto inconformismo e denunciando uma série de imposições que envolviam a arte naquele momento. O urinol não é obra de arte. Quando ele fez isto o seu gesto era rebeldia, mas hoje seria puro conformismo. As instituições já assimilaram este gesto. Esta atitude de denúncia e de arte sem linguagem já se exauriu”.


No Brasil é muito fácil se ver os efeitos desta avalanche de expressões conflitantes, que até nem deveriam ser chamadas de arte, pois, ela não ativa a emoção do publico. Procede-se quando a mensagem do autor se evapora por não haver estimulação da percepção dos indivíduos, o objeto criado se confunde com todos do ambiente diário, e por final, é despercebido e esquecido. E se não fosse a arte da fotografia e da gravação de imagens, dela, nada sobraria. A fonte de Duchamp tornou-se dogma no Brasil, pois é um modelo para não se usar a sensibilidade e o intelecto, apenas venerar e imitar, “algo”. Acontecem fatos incríveis com estas produções conceituais, como neste exemplo: um mendigo ao passar em frente a uma galeria de arte contemporânea, se deparou com uma velha mala na porta, e como ele não tinha mais que uma sacola de plástico, sentiu-se feliz com o achado, levou-a na mão. Mas logo escutou – pega o ladrão! Então, ele a largou e saiu correndo, e todos na rua cercaram a velha mala. Logo após, passaram os lixeiros, e a colocaram no caminhão de lixo. O autor, gritou da janela: – a mala é minha! Mas, de nada adiantou, a obra se foi. Era apenas um objeto sem diferença no cotidiano ambiental, e como estava estragado, teve o seu fim, assim como o conceito do autor. Na verdade, nada aconteceu, pois não havia Arte.





Atualmente, existe uma insistência infernal para se apagar o nome “artes plásticas” da expressão artística no Brasil, por causa das aventuras estéticas contemporâneas no mundo. Mas não é um problema, em certos casos, pode ser uma solução. Pois, as artes plásticas nunca irão se acabar, pois quem as produz sabe o que faz. Os tratados atuais de expressão tendem a intitular as artes plásticas, de apenas, “artes visuais”, mas isto já é obvio, e não altera nada, só que, ser visual é um requisito verdadeiro e já o era, desde a sua primeira criação, assim como na fotografia, no design, na arquitetura, no teatro, no cinema, na poesia, etc. A arte plástica será sempre uma expressão independente, pois não pertence aos tipos de expressão que se apresentam na “arte contemporânea”, que se afinam com: o teatro de rua, o circo, o cinema, a televisão, a ambientação, o vídeo-clip de roque, o auto-flagelo em público, matar animais em publico, a fotografia, a pornografia, o ritual de sadismo, a oratória política, etc. e estas não são ações das “artes plásticas”, daí soluciona-se o problema.



O que fica claro, é que as aventuras das Bienais (partindo de Veneza em direção a São Paulo) transformaram a expressão semântica, “artes visuais” numa nomenclatura oficial, para vários tipos de criações artísticas, incluindo até as artes plásticas, principalmente aqui no Brasil. O que se nota, é que o brasileiro se apegou com carinho, às ditaduras, é omisso e passivo por natureza, engole regras sem experimentar antes, e ainda, só chora quando o leite já foi derramado. As instituições públicas impregnadas de seguidores desta “nova seita”, criaram um canal aberto para estes aventureiros, e estão regulamentando um novo nome para uma profissão milenar (Artista Plástico). Só que, se formalizam uma institucionalização de maneira imposta, para um nome de uma profissão e sua atividade conseqüente, e assim se age contra a liberdade de expressão, ferindo a “Declaração Universal dos Direitos Humanos”. Fica aqui um alerta, para os seguidores da “nova seita da expressão artística”, da moda atual: quando se institucionaliza, uma profissão aleatoriamente, sem uma permissão legal da parte interessada, de forma incoerente com a realidade, corre-se o risco de se tornar um abuso aos direitos de liberdade, e uma tendência a se tornar um ato público controverso e até criminoso. Num futuro próximo, quando chegarem novas ordens políticas, alguém poderá ser responsabilizado por estas aventuras, em favor da escravidão da sensibilidade pública.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O ASSASSINATO COMO ARTE



A vida flui, é Arte, nada mais que Arte. Quando se necessita de Arte, pensa-se na vida, se alguém mata a vida, também mata a Arte. Quando um artista resolve assassinar um ser vivo em nome da arte, este artista, está fora do contexto da dignidade humana. Mas, a busca por predadores, estimula os artistas contemporâneos, eles não o conhecem, na verdade, mal sabem que estes estão entranhados nas suas almas, como espíritos das trevas, em busca de uma saída da escuridão, para se expressar. Não sabem falar, não sabem argumentar, estão sedentos por sangue, não importa de onde. São demônios que manipulam a mente dos idiotas nos rebanhos perdidos, não conseguem criar, apenas, imitar.

Onde quer que esteja a moda, ele ali está, chupando o sangue de quem criou a novidade, algo diferente. A arte dos signos roubados, não é duradoura, tenta manipular os inconscientes na multidão, tenta convencer os idiotas do século 21, em que, a arte está nas obras desmaterializadas, desconstruidas, ou na verdade: inexistentes.

O assassino do pobre e inocente cão, manchou a função de galeria de arte, fez do seu recinto um matadouro, e até excitou os vampiros sanguinários da arte-conceito, plagiadores, terríveis, sugadores de idéias, demônios aestéticos. Estes ditos artistas, muitas vezes, mal deixaram de urinar nas fraldas, descobriram a “masturbação”, e pensam que encontraram o caminho da criação artística.

Que Deus os salve, e salve também a mente de quem realmente gosta de arte. E este espetáculo, ficará por conta de uma platéia, que aplaude e zomba, grita e cala, pois só a Nero eles sabem responder.