É preciso buscar a harmonia através da Arte e nunca esquecê-la, assim a paz estará existindo para sempre.
terça-feira, 22 de março de 2011
A DECADÊNCIA DO ENSINO DAS ARTES PLÁSTICAS NO BRASIL
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
QUANDO NÃO SE REFLETE, SE ENGOLE: NO BRASIL A ARTE MODERNA FOI POSTA EM PRÁTICA ATRAVÉS DE UMA DITADURA FORMALIZADA NA BURGUESIA, COM APOIO POLÍTICO.
SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922
Foi uma mostra do que imaginavam ser revolucionário no campo das artes e uma tentativa de mostrar a expressão do povo, em sua linguagem e sua cultura, assim foi realizada a Semana de Arte Moderna de 22. Encontro marcado com a alta sociedade do Estado de São Paulo.
Dentre os participantes, destacam-se: na literatura, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Ronald de Carvalho, Manuel Bandeira, Menotti del Picchia, Graça Aranha e outros. Nas artes plásticas sobressaem pintores como Di Cavalcanti, Anita Malfatti, e no campo da escultura, Vítor Brecheret. Muitos artistas da época não participaram deste evento, pois se tratava de um encontro da burguesia Paulista.
A maior expressão da música de vanguarda do Modernismo no Brasil é Heitor Villa-Lobos. A Semana de Arte Moderna insere-se num quadro mais amplo da realidade brasileira. Vários historiadores já a relacionaram com a “revolta tenentista” e com a “criação do Partido Comunista”, ambas de 1922. Embora as aproximações não sejam imediatas, foi visível o desejo de mudanças que acontecia no país, tanto no campo artístico, como no campo político.
Um dos equívocos mais freqüentes das análises da Semana de 22, consiste em identificá-la com os valores de uma classe média emergente. Ela foi patrocinada pela elite agrária paulista. E os princípios nela expostos adaptavam-se às necessidades da “refinada oligarquia do café”. Umas oligarquias cosmopolitas, cujos filhos estudavam na Europa e lá entravam em contato com o dito "moderno". Uma oligarquia desejosa de se diferenciar culturalmente dos grupos sociais. Enfim, uma classe que encontrava no jogo europeísmo (adoção do "último grito" europeu) - primitivismo (valorização das origens nacionais) - que marcaria a primeira fase modernista – a expressão contraditória de suas aspirações ideológicas.
Outro equívoco é considerar o movimento como essencialmente anti-burguês. O poema Ode ao burguês, de Mário de Andrade, e alguns escritos de outros participantes da Semana podem levar a esta conclusão. Mas nunca podemos esquecer que a burguesia rural apoiou os renovadores. E, além disso, toda crítica dirigia-se a um tipo de “burguesia urbana”, composta geralmente de imigrantes, inculta, limitada em seus projetos, sem grandeza histórica, ao contrário das camadas cafeicultoras, cujo nível de refinamento cultural e social era muito maior. Neste caso, os modernistas se comportam como aqueles velhos aristocratas que menosprezam a mediocridade dos "novos-ricos".

OBJETIVOS DA SEMANA DE ARTE MODERNA
- Contra o passadismo – como diz Aníbal Machado: “Não sabemos definir o que queremos, mas sabemos discernir o que não queremos”;
- Contra a rigidez formal, o hermetismo, o culto de rimas, o verso perfeito dos parnasianos;
- Contra a oratória, a eloqüência, a linguagem classicizante; procura de uma linguagem mais coloquial, mais próxima da língua falada;
- Contra o tradicional acadêmico;
- Seguindo fundamentalmente três preceitos: direito à pesquisa; estabelecimento de uma consciência nacional; atualização da inteligência artística brasileira.
A importância estética da Semana de 22 é realizada por jovens inexperientes, sob o domínio de doutrinas européias nem sempre bem assimiladas, conforme acentuam alguns críticos, ela significa também o atestado de óbito da arte dominante. O academicismo plástico, o romantismo musical e o parnasianismo literário esboroam-se por inteiro. Assumi-se a destruição da academia de Belas Artes, já sendo conduzida por mestres brasileiros, abala-se a estrutura da arte brasileira em seu potencial, apenas para satisfazer a euforia de uma minoria que dominava a mídia e a política no centro sul do Brasil, e estava de amores com as modas na arte européia.
Henri Rousseau
Ela cumpriu a função de qualquer vanguarda: exterminar o passado e limpar o terreno. É possível, por outro lado, que a Semana de 22 não tenha se convertido no fato mais importante da cultura brasileira, como queriam muitos de seus integrantes. Há dentro dela, e no período que a sucede imediatamente (1922-1930), certa ironia superficial e enorme confusão no plano das idéias. Com efeito, os autores que organizaram a Semana colocaram a renovação estética acima de outras preocupações importantes. As questões da arte são sempre remetidas para a esfera técnica e para os problemas da linguagem e da expressão. O principal inimigo eram as formas artísticas do passado. Matar o passado para se vangloriar das mudanças culturais, que nunca aconteceram na verdade, ficou apenas a irônica modernidade fabricada, que não aconteceu, apenas, foi imposta por grupos dominantes, coisa que sempre foi comum no Brasil. Agora, com o passar dos tempos, pode-se refletir melhor, sobre a grande bobagem que foi esta Semana de 1922, pois atrasou a evolução da cultura artística nacional em décadas, e o Brasil ainda hoje, é viciado em plagiar a arte estrangeira.
A arte no Brasil, nunca esteve dependente desta casual Semana de 1922, mal compreendia pela maioria dos brasileiros, pois muitos dos grandes artistas modernos do Brasil não tiveram nenhuma ligação com tal fato, esta idéia foi proposta para, atualizar a intelectualidade brasileira em relação à Europa, mas pouco trouxe para a arte a não ser a mentalidade política de dominação cultural. Porém, tal processo, não elevou o valor da Arte como se imagina e não tardou a repetir-se o fato, com a criação da Bienal de Arte de São Paulo, onde se fez continuar “os monopólios na arte brasileira”.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
FARSA EM CIMA DE FARSA, EIS A QUESTÃO DA ARTE NO BRASIL. MERCADO MORTO PARA OS ARTISTAS PLÁSTICOS, O PIOR VIRÁ!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009
EXISTE UMA GRANDE AVALANCHE DE “COISAS”, QUE SÃO COLOCADAS NO ALTAR DA ARTE CONTEMPORÂNEA, APOIADAS POR FORÇAS OCULTAS.

Folha - O ponto de partida de sua "Argumentação contra a morte da arte" é a rejeição da idéia de que a arte evolui. Mas não existe de fato um aprimoramento técnico em certas linhagens?
Gullar - O que critico é essa supervalorização da idéia de evolução, que é o princípio da vanguarda. Quer dizer, valores estéticos não contam; só conta a novidade. Acontece que a idéia de vanguarda acabou. Esse princípio da inovação conduziu a um impasse e este aos absurdos que estão aí. Então a arte acabou!? Não há nada de novo para fazer. Claro, falo do novo pelo novo que é uma coisa autofágica. O novo é inerente à grande arte; nenhum poeta digno quer fazer o que já foi feito. Ele tem uma proposta, não quer dizer o que está dito.
Folha - Mas quais seriam esses "valores" estéticos?
Gullar - Permanência. É isso que é arte: a busca de fundar o permanente. Chegou-se, nas últimas décadas, ao cúmulo de criar a "arte do efêmero" do "perecível", o que é uma contradição em termos. O artista busca o permanente para assim motivar a realidade. Vou dar um exemplo. O Ibac está doando obras para o acervo do Museu Nacional de Belas Artes em breve. Outro dia encontramos lá uma coisa, que é um pedaço de ferrolho que era emendado com um pedaço de borracha. Não sei quem é o autor. Que vou fazer? Cadê o pedaço de borracha, como era a emenda? Esses caras negam a permanência da obra de arte, mas eles acreditam na "sublimidade" da arte, em que não acredito absolutamente. É só botar o ferrolho lá, que vem outro cara e escreve uma lauda complicadíssima. Transformamos o mundo de duas maneiras: ou poeticamente ou simbolicamente. Essa gente destrói a linguagem visual, mas consagram a verbal. Que revolução há nisso?
Folha - O público não gosta da arte contemporânea. O problema está nele, que não gosta da arte que exige esforço e conhecimento, ou isso é genuíno?
Gullar - Esse público se divide em dois. Existe o cara de cabeça acadêmica, que ainda não entendeu Picasso, e tenta nos imputar seu preconceito. E existe o outro lado: o cara que chegou a Picasso, Matisse, mas não é um estudioso de arte, não é um teórico, e portanto não entende nada.
Folha - Por que o sr. acha que as artes plástica, especificamente, descambara em tanta fajutice?
Gullar - Não sei. É uma boa pergunta, sempre me indago isso. Em todos os outros campos da atividade artística, o vanguardóide foi superado. Quando a coisa ameaça a própria natureza da expressão, há a percepção disso. todos reconhecem a arte, o gênio de "Finnegans Wake", de Joyce, mas ninguém vai tomar aquilo como exemplo, como modelo. Por que na pintura não se deu isso? Realmente não sei. Presumo que há um problema institucional. Bienais, centros culturais, os especialista, eles não se lixam para o público. Formam uma gangue, uma seita, que pouco se lixa para a sociedade. E o Estado paga isso; não entendo.
Folha - O que o sr. pensa "dois" gurus: um da geração anterior, Hélio Oiticica, outros desta, Cildo Meireles?
Gullar - Acho que exageram a importância de Hélio Oiticica. Ele foi vítima de um radicalismo; não é por acaso que se entregou às drogas no fim da vida. Lygia Clark foi mais importante, apesar de todo o talento do meu amigo Hélio. Os "Parangolés" só existem como teoria. Eu fui um desses teóricos, até que um dia senti um vazio debaixo dos pés. Cildo Meireles também tem talento. Vi uma instalação dele no começo da carreira que era bem interessante, criava uma atmosfera forte, tinha subjetividade. Mas das últimas coisas não gosto, não. Esse cerebralismo duchampiano teve sentido em determinada época, mas subsiste como arte.
A VERDADE NÃO SE APAGA E A LÓGICA NUNCA É DESTRUIDA, A ARTE CONTEMPORÂNEA É VISIVELMENTE UMA ANEDOTA, UMA FARSA DIANTE DO GOSTO DA HUMANIDADE.

Veja – O senhor escreveu sobre assuntos tão variados quanto a arquitetura de Barcelona e a história da Austrália, mas o único artista ao qual devotou um livro individualmente foi Goya. Por que ele é tão especial?
Hughes – Como todo grande artista, o primeiro dado essencial sobre Goya é que sua obra extrapola seu tempo. Por meio de sua trajetória e de suas idéias, pode-se entender melhor a história da Espanha e da Europa. Mas não só. Mais que qualquer outro pintor, Goya nos permite obter um conhecimento profundo da natureza dos sentimentos e da idéia de justiça, assim como de seus reversos, a injustiça e a crueldade. Nós vivemos num mundo de ironias extremas e de paixões e agressões tão desatinadas quanto as de que trata Goya. A loucura de que ele nos fala é universal e atemporal. Apesar de representar tanto para a arte, ainda faltava um livro que o alçasse à sua devida dimensão. Julguei que era uma tarefa importante fazê-lo.
Veja – O senhor concebeu a obra quando se recuperava de um acidente de carro quase fatal que sofreu em seu país, a Austrália. De que forma isso o influenciou?
Hughes – Volta e meia, sou acometido por vívidas recordações daquilo que se passou em minha cabeça naqueles dias difíceis. Tive alucinações e sonhos absurdos. Se fosse um pintor, certamente teria vasto material para me inspirar. Eu renasci depois do acidente. Ele me levou a conhecer a experiência da dor. E também a sentir o medo da morte como algo concreto. Isso tudo sem dúvida se refletiu no livro. Hoje, acredito que um escritor que não conhecesse o medo, a dor e o desespero não teria uma visão completa do universo de Goya. Não estou dizendo, é óbvio, que seja necessário quase perder a vida num acidente para entender um artista. Mas isso certamente facilitou a apreciação da matéria-prima de sua obra, o sofrimento.
Veja – Em seu recém-publicado volume de memórias, o senhor conta como uma viagem a Florença durante a enchente que destruiu boa parte da cidade italiana e de seus tesouros, em 1966, fixou sua crença no valor do passado para a arte. Por que chegou a essa conclusão?
Hughes – Em Florença, vivi a experiência de encontrar destroços de peças renascentistas em meio à lama, uma tragédia que me fez compreender de uma vez por todas que aquilo que foi criado no período de ouro da arte é insubstituível. Não apenas porque não se poderiam refazer tais obras. Vivemos numa era muito pobre em matéria de artes visuais. Hoje se podem encontrar bons escultores e pintores, mas a idéia de que a arte atual possa um dia se igualar às enormes realizações do passado é um disparate. Nenhuma pessoa séria, por mais que se empolgue com a arte contemporânea, poderia acreditar que ela um dia será comparada àquilo que foi feito entre os séculos XVI e XIX.
Veja – Como as pessoas podem se relacionar com a obra dos grandes pintores do passado?
Hughes – Olhando para o que eles produziram. Aprendendo a entender e a amar sua arte. Os mestres da pintura se relacionam a nós da mesma forma que as grandes obras literárias e as composições musicais do passado. Como o homem atual pode se relacionar com Cervantes? Por meio da leitura de sua obra. Dom Quixote continuará sendo uma história contemporânea em qualquer tempo e lugar. É preciso ter em mente que a arte é feita antes de tudo para deliciar os olhos e o espírito. É por meio desse apelo intuitivo que ela nos arrebata e conduz, no fim das contas, a um conhecimento mais profundo de nossa natureza.
Veja – Qual o papel das artes plásticas na formação cultural de uma pessoa?
Hughes - Não recomendo que se olhe para os grandes artistas com o intuito de atingir um nível cultural superior, pois, como já disse, o objetivo maior da arte é dar prazer. Mas posso falar de seu caráter enriquecedor pela minha própria experiência. Muito antes de eu me tornar um crítico, a arte desempenhou um papel fundamental em minha vida, na medida em que me fez entender certas questões existenciais mais claramente do que qualquer livro ou aula teórica o fariam. Seria um exagero dizer que se pode educar alguém por meio da arte. Mas ela é capaz de fazer de nós pessoas melhores e mostrar que existem muitos mundos além do nosso umbigo.
Veja – Certas correntes do modernismo difundiram a idéia de que o passado é um peso do qual a arte precisa se livrar. O que o senhor pensa disso?
Hughes – A noção de que há uma oposição entre o presente e o passado é estúpida. Trata-se de uma deturpação vulgar do ideário modernista de primeira hora. Ele consistia em questionar o tradicionalismo, mas não a herança dos antigos mestres. Os futuristas italianos, é verdade, chegaram a propor a destruição das obras de arte criadas no passado – como se fosse possível apagar sua influência apenas com sua extinção por meios físicos. Mas o fato é que toda arte digna de nota feita no século XX se baseou no passado. Os modernistas que realmente importam, como Matisse e Picasso, nunca se pautaram por sua rejeição. Muito pelo contrário: as fontes de que extraíram sua inspiração foram os artistas da Renascença e do século XVIII.
Veja – O senhor teve contato pessoal com artistas como o americano Andy Warhol. Quais suas impressões dele?
Hughes – Warhol foi uma das pessoas mais chatas que já conheci, pois era do tipo que não tinha nada a dizer. Sua obra também não me toca. Ele até produziu coisas relevantes no começo dos anos 60. Mas, no geral, não tenho dúvida de que é a reputação mais ridiculamente superestimada do século XX.
Veja – E quanto ao francês Marcel Duchamp?
Hughes – Foi um prazer conhecê-lo, embora certamente não seja o primeiro artista em minha lista dos mais importantes de sua época. Sua elevação à condição de figura nunca me convenceu. Já vi de perto todos os trabalhos que ele fez e nunca obtive nenhum prazer com eles. Duchamp não foi um grande artista, e sim um homem de idéias notáveis. Pessoalmente, prefiro um pintor como o francês Pierre Bonnard. Muita gente considera Duchamp um deus e Bonnard um impressionista enfadonho. Mas eu gostaria muito mais de ter em casa um de seus belos quadros do que um trabalho de Duchamp. Além disso, a influência de Duchamp sobre a arte contemporânea foi liberadora, mas também catastrófica.
Veja – Por quê?
Hughes – Porque ser o pai dessa bobagem chamada arte conceitual não é uma distinção de que se orgulhar. Para compreender o tamanho do estrago, basta dizer que sem ele hoje não haveria as chamadas instalações, aquelas obras tolas em que o espectador é convidado a passar por túneis e outros recursos infantis. Ou precisa ler uma bula para entender o que o artista quis dizer.
Veja – Nos últimos anos, obras de grandes artistas atingiram preços astronômicos em leilões. O que explica que se paguem 104 milhões de dólares por uma tela de Picasso?
Hughes – Francamente, não consigo imaginar uma boa razão. Os preços se tornaram tão obscenos e sem sentido que, a meu ver, só podem ser resultado de algum tipo de doença social. As pessoas que se sujeitam a pagar tanto por um quadro são movidas por motivações ridículas, como ostentar seu prestígio e poder. Não compactuo com essa insanidade.
Veja – Não há arte que valha tanto assim?
Hughes – Para mim, nem a maior obra-prima. A supervalorização atende aos interesses de certos marchands e colecionadores, mas é danosa para a arte. Passa-se a valorizar um artista ou tendência em função de seu cacife no mercado, e não da importância de suas realizações. Além disso, sua transformação em bem de consumo de luxo muitas vezes dificulta que um dia o grande público possa contemplá-las em museus.
Veja – Nas últimas décadas, o interesse pelas artes plásticas parece ter diminuído – desde sua saída da Time, por exemplo, a revista não tem dado o mesmo destaque ao tema. A arte perdeu sua centralidade?
Hughes – É triste, mas o fato de as pessoas terem obsessão pelos altos preços pagos por quadros famosos não significa que elas queiram saber algo mais sobre arte em si. Ela passou a ser vista apenas como um item a mais no cardápio do entretenimento, como as atrações do cinema e da TV. E também a ser avaliada com base nos mesmos parâmetros. Fala-se de um artista não por sua relevância, e sim pelo valor que suas obras atingem – como se fosse o orçamento milionário de um filme. Ou então por sua popularidade – como se fosse o índice de audiência de um programa.
Veja - É uma visão distorcida.
Hughes – É claro que sim. Daqui a vinte anos, veremos quanto se pagará pelas obras de um sujeito como Hirst – que, aliás, não me interessam nem um pouco. Hirst e outros de sua geração fazem do escândalo uma arma de marketing. Mas um renascentista como Piero della Francesca conseguiu ser radical num nível que ele nunca passou nem perto de alcançar.
Veja – O que o senhor pensa desse esforço dos curadores de museus para transformar as exposições em entretenimento para as massas?
Hughes – Não sou contra o entretenimento, em princípio. Só penso que não é função do museu preocupar-se em produzir eventos com esse fim. Há mostras maravilhosas que calham de ser realmente populares. Só que pode haver outras também maravilhosas, mas que não têm tanto apelo – e é saudável que os museus continuem lhes dando espaço. É impossível determinar a qualidade de uma exposição em função de seu sucesso de público.
Veja – Para alguns especialistas, eventos como as bienais de São Paulo e Veneza tornaram-se obsoletos. O senhor concorda?
Hughes – Não ligo a mínima para bienais, trienais, quadrienais ou coisas que o valham. Elas hoje têm relevância apenas para os negociantes de arte. Por baixo da fachada novidadeira, a maioria desses eventos se transformou em feiras vulgares. Nunca estive na Bienal de São Paulo. Mas a de Veneza eu conheço bem. Alguns anos atrás, fui convidado a colaborar com seus organizadores e me vi em tal pesadelo que renunciei a meu posto. Já que é tudo comércio, melhor deixar para quem entende disso.
Veja – Países relativamente novos como o Brasil e a Austrália estão destinados a ter sempre um papel secundário na arte?
Hughes – Não direi que será sempre assim. Mas eles enfrentam um problema e tanto: não têm controle sobre o mercado. Parece-me inusitado que a Austrália amargue uma presença próxima do zero na arte mundial enquanto qualquer porcaria que se produz na Califórnia logo alcança visibilidade. A atmosfera do circuito internacional de arte é corrupta, já que se vive de criar modismos e falsos novos gênios para faturar. Essa é uma das razões pelas quais eu me aposentei como crítico. Prefiro me concentrar em alguns artistas cujo trabalho realmente importa a ver minhas resenhas sendo usadas para inflar as cotações alheias. O presente, em arte, é sempre um terreno pantanoso e sujeito aos golpes de marketing. Tome-se como exemplo o carnaval que se faz no momento a respeito da arte chinesa. A maior parte do que se convencionou rotular de pós-modernismo chinês é apenas uma empulhação bem promovida pelos marchands e casas de leilões. As vítimas deles são os colecionadores novos-ricos que pululam pelo mundo afora e compram tudo o que vêem pela frente. Eles podem ter dinheiro, mas não passam de idiotas e vítimas da moda.
Veja – Antes de se tornar um crítico, o senhor atuou como cartunista e também pintava. Há alguma verdade no velho clichê de que todo crítico é um artista frustrado?
Hughes – Absolutamente nenhuma. Eu me considero um artista completo, nem um pouco frustrado. Minha arte é escrever. Nunca tive inveja dos artistas nem escrevi nada com o intuito de me vingar deles.
Veja – O senhor coleciona arte?
Hughes – Não, por incrível que pareça. Tenho algumas gravuras de Goya que adquiri ainda na juventude e também telas de minha mulher, Doris. Mas nunca fui um colecionador. E vou lhe dizer por quê: logo descobri que, como crítico, isso não seria ético.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
ARTE ATUAL: CONFLITOS
Todos os povos antigos fizeram “Arte’, por ser algo de necessidade de sua sobrevivência física e intelectual. Como um ato que estabiliza a estrutura social e a identidade cultural dos indivíduos. Em todas as civilizações existiram os autores e os cultivadores da arte, o que mostra, que o processo, “criador, criação e percepção”, sempre foi universal, e atravessa o tempo, e o espaço. Em todas as culturas, são observados modos de elaboração artística, desenvolvidos pelos artistas, gerando estilos, que apresentam aspectos individuais e coletivos. Os aspectos individuais são gerados pela ação do organismo físico-mental dos artistas e os aspectos coletivos são referencias iconográficas que influenciam os artistas através do contato visual ou através de uma afinidade do mesmo, pelo modo de elaboração de outro artista. A história da criação artística não pode negar a disponibilidade da sensibilidade humana a um referencial icônico do meio (necessidade de arte), pois o ser humano é naturalmente um consumidor de imagens. Sigmund Freud, faz uma relação entre o prazer estético e a libido sexual, como um estimulador primitivo da visão estética, demonstra que a sensibilidade estética é intrínseca ao ser humano, algo que nasceu com ele. Independente das idéias psicológicas, o que é notável, é que, o individuo, quando ainda jovem, tem afinidade com determinadas linguagens artísticas encontradas em seu meio, sejam estas sonoras, corporais ou plásticas, revelando uma pré-disposição sensorial, que o leva a formação de uma identidade intelectual.
A evolução estética no individuo, é idêntica em qualquer época e em qualquer civilização, pois se confrontarmos os desenhos infantis, de crianças do Japão, da África, da Austrália ou da França, observaremos que estas expressam os mesmos sinais arquetípicos, e só passam a apresentar as codificações padronizadas, após o amplo contato com o seu meio social. Daí, podermos concordar, que uma criança egípcia entre 3 e 4 anos de idade, nascida há 5 mil anos antes de cristo, desenhava um rosto com as mesmas características arquetípicas, que desenharia uma criança inglesa hoje, 7 mil anos depois. Este fato, demonstra que a mente, em seu estado sutil inicial, é atemporal e universal, apresenta uma disponibilidade orgânica e não reflete tanto “o processo evolucionista”. Por outro lado, se existir interferências externas no seu estado sensível e espontâneo, ela se comportará mais coletivamente, e aí, já se pode ver alguns sinais de padronização grupal, diminuindo o grau de individualidade na sua expressão gráfica.

Nas artes plásticas, os sinais da personalidade do artista, aumentam ou diminuem de acordo com a influencia de códigos coletivos. Atualmente, vemos que uma “prática mutante” coletiva, está impregnando o comportamento dos artistas, e mais intensamente o comportamento dos artistas das artes da “mais recente vanguarda”. Nota-se também, que as obras de arte, principalmente, as ocidentais ficam presas a certos padrões mutantes e monopolizadores, o que queremos dizer, é que: a arte contemporânea é adotada por alguns, como uma arte que sofre mudanças constantes, que se obriga a ser coletiva, que não tem relação com o passado e mais ainda, afasta a personalidade do autor, e segue uma “regra global de expressão”, que está sempre prestes a mudar. Esta arte de hoje, já vista por muitos, como “caçadora de novos conceitos” ou “charadas visuais”, não demonstra percentuais claros da individualidade do criador, é transformada em atos puramente momentâneos, que são geralmente copiados de “tais padrões em moda”, estimulam um comportamento como os das abelhas e das formigas, repetitivos e submissos aos dogmas das colméias e formigueiros ou seja, dos monopólios intelectuais.

E a Beleza? Seria um comportamento ultrapassado, dos gregos e dos romanos? Sim, se apenas fossemos contar o tempo em que foram produzidas, pela evolução dos dogmas e as mutações espontâneas das idéias humanas. Porém, gregos e romanos, sempre foram referencias para o mundo ocidental, os europeus e suas colônias. E o resto? As civilizações orientais? E as nativas, que não sofreram interferências da evolução ocidental em sua base cultural? Desapareceram? Ou os ocidentais sempre quiseram dominar o mundo da arte? A “Beleza” no resto do mundo, nunca foi presa a evolução ocidental (diga-se: a européia e suas colônias), e a grande parte dos registros culturais da pré-história, não foi nem sequer encontrada na Europa. Estes povos não ficaram condicionados aos dogmas estéticos ocidentais. Somente agora, há alguns anos, com a chegada da globalização dos sistemas de comunicação via Internet, é que começamos a ver, as padronizações estéticas chegando ao resto do mundo. Que imensa falta de liberdade, irão ter os povos não ocidentais daqui pra frente!
Na Índia, no Paquistão, na China, na Rússia, na Coréia, e tantos outros paises, os artistas não estão regidos pela paranóia do regime mutante da “Arte Contemporânea”, que impõe a “moda estética”, como norma inseparável da criação de idéias artísticas do momento atual. Estes valores, ainda não contaminaram muitas culturas orientais, porque a arte para elas, tem um parâmetro mental e espiritual, é atemporal e necessário ao ritmo da própria vida. É na arte, que muitas destas culturas, desenvolvem os seus símbolos religiosos, seus cânones comportamentais, da vida diária e não há sentido para eles usarem a arte como negação da harmonia, pois a arte, a filosofia e a religião dançam a mesma música na sua natureza, regidas pelas forças universais. Desta forma, torna-se patético, querer impor padrões de conceitos de “arte contemporânea ocidental”, a muitas culturas antigas do mundo.

O que está acontecendo na arte do momento contemporâneo, é que a liberdade ficou comprometida, o padrão imposto pelo sistema mutante globalizado, reduziu a individualidade do criador, ele não expressa a sua imaginação pessoal, torna-se um plagiador constante do ambiente, dos variados tipos de atos e formas, indevidamente considerados estéticos. Ele age como se não necessitasse do imaginário da mente, ele atua no ambiente, sem intenção de construir signos, ou seja de manipular a matéria para gerar formas atraentes. Apenas age, como se estivesse no puro realismo do viver cotidiano, sem ser praticamente notado, e logicamente sem estimular conceitos, o que é uma utopia filosófica para os seus criadores, que a chamam de “conceitual”. Por exemplo: ficar diante de pessoas e cortar pedaços do próprio cabelo, urinar no chão, rasgar a própria roupa, ficar despido em publico, fumar um cigarro usado, defecar numa bandeja, comer excrementos, cortar a barriga com uma lamina, vomitar, etc. todos são atos óbvios da vida humana, pode ou não despertar interesse do observador (publico). Estes atos, são considerados pelos artistas conceituais performistas, como novas expressões estéticas, mas na verdade não altera a vida do homem comum, o máximo que pode acontecer é alguém chamar a polícia ou iniciar um processo jurídico, quando se sentir molestado pelo ato destes ditos artistas. Torna-se uma masturbação, pois não existe o outro, ele se contorce em busca de aceitação, mas na maioria das vezes, o público não o nota.

Na “arte contemporânea”, a forma está sendo desconectada do conteúdo, o observador se perde na leitura da obra, e cria idéias desconexas, perde o interesse de analise, e não se formam as mensagens para serem absorvidas pelo raciocínio, não há emoção, pois ele não se transporta para o sonho, o que é normal com a imagem estética, tanto na pintura, na escultura, na dança, no teatro e na poesia, quando a imaginação do público reage, dialogando com sua própria mente; e mais ainda, nesta arte também existe, uma agressão a naturalidade comportamental, afastando o indivíduos da possível relação com o pensamento do autor. A “arte contemporânea”, tida como estilo novo de vida, jamais conseguirá transmitir inteiramente conteúdos, pois em sua maioria, são signos incompletos, quando têm conteúdo (significados), lhes falta forma (significantes), e quando tem forma lhes falta conteúdo, e quando não possui sinais, o publico vai embora e a esquece. Nos últimos anos, a ditadura de expressão chamada “Arte contemporânea”, afetou uma grande parte dos jovens, pois ela cria um canal de fuga irreal, uma referência de auto-determinação que parece segura, que entorpece a cada ano os adolescentes, como um “ópio substituto das drogas usuais”, usadas na tentativa de encontrar uma identidade intelectual. A arte atual (dito conceito imaterial), como modelo psico-social de formação humana, já está sendo usada em várias escolas e universidades, não como um estilo de expressão, algo de livre escolha, mas como uma seita avassaladora da condução do comportamento dos jovens, causando a alienação da consciência. Por outro lado, o gosto pessoal poderá desaparecer, por longo período, e existirão gerações de robotização comportamental, que virão impiedosamente, e apesar de tudo, em grande parte, não é culpa dos movimentos de arte e dos impulsos a novas tendências, mas de uma profunda perda de auto-confiança que já permeia os indivíduos no século 21.
Não se sabe, se vale à pena rever a história, para encontrarmos onde começou esta farta idiotice estética, pois são aproximadamente 50 anos de apelos desesperados pela mudança, de atitude artística, como se isto fosse a salvação das almas desorientadas. Marcel Duchamp, um dia, fez o seu protesto, nem mesmo considerando obra prima, e que apenas, em vez de o colocar na Rua, o colocou numa galeria de arte, em um nicho de força intelectual, pois se o tivesse feito em praça pública, teria sido esquecido para sempre. Sobre a força do objeto tornado símbolo, o próprio Duchamp afirmou, depois do fato consumado: “I threw the urinal in their face and now they come and admire it for its beauty”, “Eu enfiei o urinol na cara deles e agora eles vêm e o admiram por sua beleza”. E Já perto do final da vida, ele declarou: “não tenho muita certeza se o conceito de readymade não foi a única idéia realmente importante saída de minha obra”. A questão é que, no momento do pós-guerra, na recessão social americana, e na busca por soluções racionais da vida na época, o fato foi consumido e ficou eternizado. Aí é que mora o conflito: seria tão fácil se eternizar, em um país sem mídia e sem recursos políticos poderosos? Claro que, o tipo da catedral é que faz o santo ficar conhecido e forte. Ferreira Gullar em entrevista ao Jornal de Brasília (30/07/1993), explica: “Quando Duchamp enviou um urinol a um salão estava realizando um gesto de alto inconformismo e denunciando uma série de imposições que envolviam a arte naquele momento. O urinol não é obra de arte. Quando ele fez isto o seu gesto era rebeldia, mas hoje seria puro conformismo. As instituições já assimilaram este gesto. Esta atitude de denúncia e de arte sem linguagem já se exauriu”.
No Brasil é muito fácil se ver os efeitos desta avalanche de expressões conflitantes, que até nem deveriam ser chamadas de arte, pois, ela não ativa a emoção do publico. Procede-se quando a mensagem do autor se evapora por não haver estimulação da percepção dos indivíduos, o objeto criado se confunde com todos do ambiente diário, e por final, é despercebido e esquecido. E se não fosse a arte da fotografia e da gravação de imagens, dela, nada sobraria. A fonte de Duchamp tornou-se dogma no Brasil, pois é um modelo para não se usar a sensibilidade e o intelecto, apenas venerar e imitar, “algo”. Acontecem fatos incríveis com estas produções conceituais, como neste exemplo: um mendigo ao passar em frente a uma galeria de arte contemporânea, se deparou com uma velha mala na porta, e como ele não tinha mais que uma sacola de plástico, sentiu-se feliz com o achado, levou-a na mão. Mas logo escutou – pega o ladrão! Então, ele a largou e saiu correndo, e todos na rua cercaram a velha mala. Logo após, passaram os lixeiros, e a colocaram no caminhão de lixo. O autor, gritou da janela: – a mala é minha! Mas, de nada adiantou, a obra se foi. Era apenas um objeto sem diferença no cotidiano ambiental, e como estava estragado, teve o seu fim, assim como o conceito do autor. Na verdade, nada aconteceu, pois não havia Arte.

Atualmente, existe uma insistência infernal para se apagar o nome “artes plásticas” da expressão artística no Brasil, por causa das aventuras estéticas contemporâneas no mundo. Mas não é um problema, em certos casos, pode ser uma solução. Pois, as artes plásticas nunca irão se acabar, pois quem as produz sabe o que faz. Os tratados atuais de expressão tendem a intitular as artes plásticas, de apenas, “artes visuais”, mas isto já é obvio, e não altera nada, só que, ser visual é um requisito verdadeiro e já o era, desde a sua primeira criação, assim como na fotografia, no design, na arquitetura, no teatro, no cinema, na poesia, etc. A arte plástica será sempre uma expressão independente, pois não pertence aos tipos de expressão que se apresentam na “arte contemporânea”, que se afinam com: o teatro de rua, o circo, o cinema, a televisão, a ambientação, o vídeo-clip de roque, o auto-flagelo em público, matar animais em publico, a fotografia, a pornografia, o ritual de sadismo, a oratória política, etc. e estas não são ações das “artes plásticas”, daí soluciona-se o problema.

O que fica claro, é que as aventuras das Bienais (partindo de Veneza em direção a São Paulo) transformaram a expressão semântica, “artes visuais” numa nomenclatura oficial, para vários tipos de criações artísticas, incluindo até as artes plásticas, principalmente aqui no Brasil. O que se nota, é que o brasileiro se apegou com carinho, às ditaduras, é omisso e passivo por natureza, engole regras sem experimentar antes, e ainda, só chora quando o leite já foi derramado. As instituições públicas impregnadas de seguidores desta “nova seita”, criaram um canal aberto para estes aventureiros, e estão regulamentando um novo nome para uma profissão milenar (Artista Plástico). Só que, se formalizam uma institucionalização de maneira imposta, para um nome de uma profissão e sua atividade conseqüente, e assim se age contra a liberdade de expressão, ferindo a “Declaração Universal dos Direitos Humanos”. Fica aqui um alerta, para os seguidores da “nova seita da expressão artística”, da moda atual: quando se institucionaliza, uma profissão aleatoriamente, sem uma permissão legal da parte interessada, de forma incoerente com a realidade, corre-se o risco de se tornar um abuso aos direitos de liberdade, e uma tendência a se tornar um ato público controverso e até criminoso. Num futuro próximo, quando chegarem novas ordens políticas, alguém poderá ser responsabilizado por estas aventuras, em favor da escravidão da sensibilidade pública.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
O ASSASSINATO COMO ARTE

Onde quer que esteja a moda, ele ali está, chupando o sangue de quem criou a novidade, algo diferente. A arte dos signos roubados, não é duradoura, tenta manipular os inconscientes na multidão, tenta convencer os idiotas do século 21, em que, a arte está nas obras desmaterializadas, desconstruidas, ou na verdade: inexistentes.
O assassino do pobre e inocente cão, manchou a função de galeria de arte, fez do seu recinto um matadouro, e até excitou os vampiros sanguinários da arte-conceito, plagiadores, terríveis, sugadores de idéias, demônios aestéticos. Estes ditos artistas, muitas vezes, mal deixaram de urinar nas fraldas, descobriram a “masturbação”, e pensam que encontraram o caminho da criação artística.
Que Deus os salve, e salve também a mente de quem realmente gosta de arte. E este espetáculo, ficará por conta de uma platéia, que aplaude e zomba, grita e cala, pois só a Nero eles sabem responder.





