sábado, 7 de abril de 2012

ARTE CONTEMPORÂNEA: ÍDOLOS COM REDOMAS E SANTOS SEM CATEDRAIS


O ÍDOLO COM REDOMA



O SANTO SEM CATEDRAL


Não é estranho vermos crianças em diversas épocas tendo intensa satisfação em ver outras pessoas fazerem o que elas não chegariam a fazer, tanto pela idade ainda não amadurecida, como pela impossibilidade de alcançar fisicamente determinados limites, mas que projetam estas ações de superação e auto-realização, tendo consciência de que não estariam prontas para tais atitudes, mas os outros estariam, e lhes dariam satisfação e prazer. Estes ícones se identificariam totalmente com os desejos pessoais da criança. Aqueles que poderiam fazer por elas, e elas poderiam sentir como se estivessem participando fisicamente das conquistas e das vitórias de sua imaginação. 



ÍDOLOS DA FANTASIA


ÍDOLOS DA FANTASIA



Todas as culturas cultivaram adoração aos “personagens” que substituíam os seus indivíduos nas ações que levariam às guerras, vitórias, soluções políticas e sociais. Estas figuras a quem a sociedade prestava respeito e reverencia pelas suas atitudes de poder, capacidade intelectual e espiritual, ficaram conhecidas como, ídolos. Eram amados pela sua infinita capacidade de realizar os ideais da sociedade, poderiam estar vivos ou mesmo mortos, poderiam ser reais como parte da natureza humana ou serem extremamente simbólicos, não sendo humanos, mas representariam a força sobre-humana. Também poderia ser um deus, uma entidade espiritual atuando na vida dos humanos. Caberia à sociedade assumir os valores que o determinado símbolo teria e sua aceitação surgia à medida que, ocorressem mudanças importantes nos indivíduos. 



ÍDOLOS RELIGIOSOS




ÍDOLO DA CIVILIZAÇÃO EGÍPCIA


Os impérios como, egípcios, persas, gregos ou romanos, nos trouxeram símbolos fortes no decorrer da história, muitos reis e imperadores das culturas passadas, foram adorados por milhares de pessoas, que os assumiam como ícones poderosos e depois de suas mortes atuavam na mente coletiva por tempo indeterminado. Houve ídolos como Hitler, que quando vivo conseguiu convencer um pais inteiro a lutar pelo poder e massacrar a própria humanidade, que depois de morto, deixou pavor e aniquilação de milhões de seres humanos, deste ninguém quer recordações, todos tentam esquecê-lo pelo seu poder de negatividade. Quando ele surgiu, enfeitiçou um país inteiro e naquele momento, ninguém conseguia tirar a sua redoma. Os ídolos sempre existiram e vão continuar existindo, como formas que representam forças paralelas à vida normal dos indivíduos, com uma grande capacidade de levar às pessoas a sentir uma realidade quase palpável. Os ídolos mais adorados, são vitoriosos e guerreiros, espelham um espírito capaz de alcançar os objetivos, deixando na sociedade algo positivo, indo além do mundo da imaginação.



ÍDOLO DO DOMINIO


Na sociedade moderna os ídolos são de diversas categorias, ligados à política, filosofia, arte, poder militar, revolução, espiritualidade, ciência, etc., eles atuam em nossa época com muito poder. Os ídolos da musica do final do século passado, ficaram famosos até hoje e se constituem símbolos importantes, na Europa, nos Estados Unidos e em países latinos. No esporte, foram infinitas as criações de ícones poderosos, que são idolatrados por décadas até hoje e no cinema foram formados mitos que provocaram também uma grande idolatria. Na historia humana ficaram muitos personagens que se transformaram nestes mitos fortíssimos e eles atuam na consciência coletiva até os dias de hoje.



ÍDOLO DA FORÇA MILITAR
 


ÍDOLO DA MÚSICA



ÍDOLO DA MÚSICA






Os indivíduos contemporâneos não perderam a necessidade de manter os seus ídolos, mas a forma como eles vão se codificando já são diversas. A ciência moderna e a revolução industrial transformaram os valores e as concepções dos ídolos. Não eliminaram a função de dar força aos ideais sociais, mas aumentaram as fantasias inconcebíveis da vida real. Hoje uma criança, toma para si como ídolos, determinados ícones de filmes policiais e de guerra, personagens de extremo valor negativo, mas de grande representação de força e coragem. Ela não percebe o lado obscuro dos personagens, mas absorve a sensação de poder passada pelos determinados ícones, ela não sente nenhuma carga negativa e a assimila como se fosse uma força extremamente construtiva.



ÍDOLO DO PODER DO MAL


ÍDOLO DO PODER DO MAL

  


ÍDOLO DO PODER DO MAL


O materialismo da ciência moderna impede a sintonia dos indivíduos da sociedade com seus níveis de espiritualidade, produzindo cada vez mais, indivíduos céticos, inseguros e fantasiosos, sem poder reflexivo sobre os valores éticos, ficando dependente dos seus ditames, perdendo os referenciais entre o homem, natureza e a historia da vida. A mídia atual constrói ídolos, leva-os para sociedade como se fossem os seus ideais verdadeiros, fechando a persuadindo a todos para um caminho padrão. Todos seguem o falso santo como um rebanho de ovelhas famintas, mesmo sabendo que para este santo nunca haverá catedrais. Após assumir o poder, a mídia fragmenta as diversas relações dos ídolos com a evolução humana e cria nichos com santos imaginários onde não poderia haver adoração, onde não haveria valores verdadeiros para se seguir, mas ao contrario, levam à sociedade ao conformismo e a perda do juízo.



O ÍDOLO DOS CÉTICOS



ÍDOLO DO PODER MILITAR


Hoje o poder global avança no controle dos indivíduos, afasta a sua relação com um “ídolo verdadeiro”, impõe um nicho com falsos mitos e levam os seres humanos a uma perda de identidade. A maioria dos países ocidentais aumenta amplamente o controle coletivo através deste grau de idolatria, sedimentado pelo poder da “ciência moderna”, da “economia” e das “forças políticas e militares”, deixam cada vez maiores as fragmentações da razão humana, os totens são levados para diversos nichos persuasivos, como por exemplo: a força econômica, manipulando as sociedades e controlando suas ações, o esporte, (uma competição com idolatria) uma representação da força física que existe no individuo, e em muitas culturas já se troca a imagem dos ídolos intelectuais e espirituais por ícones do esporte, que conseguem substituir a fantasia de ideais sociais e espirituais bem mais rapidamente. O “poder político”, é uma força icônica que funciona como uma grande redoma que vai estimulando a idolatria, conseguindo distrair a sociedade pelo sonho e pela esperança, adormecendo a percepção das próprias necessidades intelectuais e sociais, destruindo o discernimento.



O FALSO SANTO

 
O “falso santo contemporâneo” tomou força, e é capaz de impor modo de vida, padrão de comportamento, estilos e ações e ninguém se dar conta do fato, levando o rebanho a uma catedral vazia e irracional. Estes ideais oníricos não satisfazem as necessidades dos indivíduos, suprem apenas as necessidades dos lideres e do poder dos grupos dominantes. Uma vez perdida a sensibilidade dos indivíduos e estes, admitindo o controle por falsas sensações de prazer e realização, desintegram-se como seres humanos pensantes, e nada voltará tão cedo ao normal.
 
É na “arte onde ficou muito visível a perda de identidade, a partir da criação destas "catedrais fantasmas". A história contém em suas etapas as grandes mudanças de valores filosóficos, que são etapas de uma grande escadaria, com degraus subsequentes, onde se ver a necessidade de se erguer o ser humano mais e mais para o alto, para uma evolução intelectual e espiritual. A ausência de degraus deixa muita dificuldade para se alcançar o topo, pois cada degrau é parte de uma escadaria, é um conjunto que não se mantém íntegro com lacunas.  À medida que, as etapas da historia, vão sendo queimadas, corre-se o risco de preenchê-las, com ideias puramente oníricas, que não conduzem à compreensão. Na arte, houve etapas importantes e ficaram bem marcadas a necessidade da perfeição a ser alcançada, como vemos nas criações dos gregos e posteriormente na época do renascimento, com as mudanças na forma de pintar e esculpir, depois no barroco, no impressionismo, no fauvismo, no surrealismo e vários outros. Porém, estas etapas foram ocorrendo entre varias décadas e foram reconhecidas pelas suas determinadas importâncias temporais, uma após a outra, ficando bem claro que, o que era de uma época, naquele momento, era uma arte resultante daquele tempo.  
 


AS CATEDRAIS FANTASMAS


Na arte contemporânea das ultimas décadas, se apagou o valor temporal, que definiria os tipos de arte das determinadas épocas. Hoje a ideologia contemporânea tenta definir a expressão temporal como um estilo ou movimento e confunde a razão coletiva, impondo um modelo único de arte, vazio de conteúdo e vazio de forma, e impõe a imortalidade de um movimento de arte. Estabelece-se a criação de falsos santos, para colocar nas catedrais do poder global. Fica bem claro que os ditadores da arte contemporânea não aceitam o passado e nem as mudanças positivas para a arte do futuro. É como se congelassem a historia, em algum lugar do tempo, perdendo as referencias dos verdadeiros conceitos da criação. As catedrais da arte contemporânea ficaram vazias e sem santos.



ACADEMIAS CONTEMPORÂNEAS
 

ACADEMIAS CONTEMPORÂNEAS

 

ACADEMIAS CONTEMPORÂNEAS

 
A “arte contemporânea” assume o poder sobre a sensibilidade da sociedade atual, impõe regras e normas que vão sendo seguidas no silencio, criando um império mil vezes mais influente do que as pequenas academias clássicas do passado, esta nova imagem é de uma “academia do poder”, uma academia de uma rigidez tenebrosa, que destrói qualquer liberdade de expressão atual e qualquer tentativa de inovação. Ela aplica a sua força sobre os artistas e vão às ultimas conseqüências sobre aqueles que querem se libertar ou inovar. Hoje, poderíamos até dizer, que, se Leonardo da Vinci, Caravagio, Claude Monet, Van Gogh ou Picasso tentassem fazer a divulgação de uma nova arte, neste mundo contemporâneo, talvez fossem mortos publicamente por terem se arriscado a sair do padrão dominante desta academia contemporânea. A academia de arte contemporânea, não ensina nada, não é uma escola, não é uma fonte de tecnologia artística, é apenas um partido político-estético que produz medo e pânico, tão aterrorizante para a sociedade quanto o partido nazista na Alemanha da Década de Quarenta. A pompa neste caso cabe ao ídolo, que é conceitual (proposta de fazer arte apenas com o pensamento), que reclama que tudo deve está dentro do padrão em moda (em voga), um ídolo colocado em redoma e adorado por quase toda a juventude atual, que já foi totalmente educada dentro desta ideologia e não sabe ver outra coisa neste momento. O poder deste conceito de arte foi imposto em quase todo o mundo e só se livra dele: quem não o reproduz e assume a sua própria liberdade de expressão.



AUTO-FRAGELO COMO IDEIA DE ARTE

 

APROPRIAÇÃO SEM CRIAÇÃO

 
Esta academia exige de todos os artistas nascidos nas ultimas décadas, que: toda arte que seja produzida nesta época deva ser no modelo “conceitual”, uma arte que ninguém demonstra nem explica, o publico que se dane; proclama que os indivíduos nunca devam experimentar o processo do fazer artístico manipulando a matéria e dando formas a ela; impõe que o principio maior é a ideia e não a forma; sendo imprescindível a destruição do que quer que seja conceito plástico criado (estético); que todos devam apresentar objetos já construídos ou coletados em lixos e colocá-los em posição de seqüencia e repetir infinitas vezes, mantendo sempre a afirmativa de que: está desconstruindo algo! Que quanto mais repetir o mesmo objeto melhor, podendo apropriar-se de qualquer idéia alheia, materializada ou não; qualquer coisa encontrada na natureza ou no centro urbano pode se transformar em arte contemporânea; que qualquer palavra falada, gemido, estampido devam ser considerados expressões de arte; se não houver objetos, basta falar palavras sem sentido ou rosnar, relinchar, uivar ou rugir, pois tudo é conteúdo segundo esta academia; não precisa ter significado, pode-se até urinar, defecar, esfaquear, se mutilar e até matar animais como forma de chamar a atenção, pois em quanto se consegue fazer o terror sobre os homens sensíveis estará mantida a lei desta “academia da atualidade eterna” (Arte Contemporânea).

 

APROPRIAÇÃO SEM CRIAÇÃO

 

APROPRIAÇÃO E TORTURA DE ANIMAIS

 
Existem muitas contradições na arte contemporânea conceitual, não há lógica na tão defendida destruição dos ícones, eles afirmam que a idéia na mente já se torna arte, antes da sua materialização (forma), é como se aceitar um pensamento sem compreendê-lo, é como se ler um livro com páginas brancas. De acordo com esta a arte conceitual, poderíamos até admitir desde já, que um assassino não precisaria praticar um crime, já poderia ser preso sem a ação praticada, pois o pensamento já seria a ação! Para a arte conceitual nenhuma ação tem mais valor do que a idéia, isto leva à criação de uma sociedade de loucos, que apenas pensa e vai apodrecendo no redemoinho da sua própria imobilidade.  

 

UMA ACADEMIA SEM CONTEÚDOS


A CATEDRAL DO LIXO


O “artista plástico” em si, não tem nenhum valor para os defensores da arte contemporânea conceitual, porque ele manipula a matéria e imprime a sua personalidade na mesma, isso não os atrai porque não se identifica com suas normas. Para os conceitualistas a ação é um fato irrelevante, para eles o acontecimento físico decorrente da intenção é por si só, sem valor algum, basta a idéia. Está aí uma Catedral imensa, mas não há santos que possam fazer desta catedral um verdadeiro templo, infelizmente, o interior desta Catedral não passa de uma fantasia que pode desfazer-se com o tempo, como diz o próprio lema do conceitualismo: terá que se descontruir! – Mas o tempo dirá!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O VAZIO DA ARTE CONTEMPORÂNEA

 
É inútil buscar conteúdo numa arte onde a forma não se define e já não tem personalidade estética, sabe-se que o significado brota do significante, que é a “forma”, condutora da idéia visual no estado imaginário ou físico. A forma na arte se processa através de um mecanismo natural da mente em conjunto com o corpo físico, manipulando a matéria e dando aspectos de semelhanças em relação ao ambiente e a vida, este aspecto visível é notado pelo autor do processo e por outros indivíduos. A arte das formas e da manipulação da matéria é chamada de artes plásticas, surge com a evolução de cada ser humano de forma natural e espontânea, desde os primeiros meses de vida. O fazer arte é tão vital quanto respirar e falar, pois se taparmos o nariz e a boca de uma pessoa, a sua vitalidade cessa. Criar uma forma é se projetar na matéria, manipulando-a e deixando que a personalidade se transfira para uma dimensão paralela, onde ali, a mesma represente o individuo num estado sutil, mas carregada de informações referenciais de si.


A ARTE DA MANIPULAÇÃO DA MATERIA: "ARTES PLÁSTICAS"

A CONDUÇÃO DA IDEIA VISUAL


A PERSONALIDADE SE TRANSFERE PARA A MATÉRIA

O individuo hoje está se afastando do seu processo artístico nato, onde construía seus próprios códigos visuais, ele está sendo levado a amputar mecanismos do seu instinto de comunicação icônica, que valorizava o ambiente e seus processos de mutação harmonicamente. Éramos formadores de signos junto à natureza, assim como faz uma centena de animais, construindo “códigos de formas” para comunicar a sua mutação, a sua relação com o mundo e os predadores, como também para criar o ambiente para o ritual de acasalamento. São atos de arte, simples, dos mais imperceptíveis aos mais sofisticados. À medida que a atitude coletiva avança com a globalização, esmaga a personalidade e a vida dos seres humanos vai se distanciando da sua individuação, acaba-se a liberdade de expressão e conduta pessoal. Tornando-se utópica a propriedade intelectual dos indivíduos, ele é forçado a gerar repetições para manter o padrão coletivo. Hoje um produto de expressão coletiva pode ser encontrado em prateleiras de lojas, tentando ser identificado por algum comprador que por acaso saiba qual o padrão da moda que foi estabelecido para a determinada época.


A NATUREZA CONSTROI CÓDIGOS

O PÁSSARO JARDINEIRO, UM GRANDE ARTISTA

A individualidade está se dissolvendo, num oceano de predominâncias estéticas conduzidas, não mais com um teor pessoal, porem acorrentando o criador-artista a uma contradição estúpida, transformando a arte em um ato vazio e sem conteúdo. A impregnância de códigos visuais nascida da ressonância da construção da forma está perdendo a sua vitalidade no “homem contemporâneo”, vai cedendo o seu espaço ao poder coletivo, sem deixar sinais de positividade para uma nova estética dos próximos tempos. O inconsciente coletivo modela o individuo por uma persuasão constante, impondo valores gerados por diversos canais de comunicação, onde o reforço são as atitudes de enganos partidas dos poderes oficiais que monopolizam o gosto e neutralizam a analise individual.  Já está evidente a falta de alternância dos ritmos estéticos, cessou a “mutação criativa” na arte contemporânea, a clonagem dos padrões é constante, principalmente nas expressões tidas como “arte conceitual”. Todo o ritmo desaparece, dando lugar a uma malha iconográfica seriada, que vem  estagnando a criação individual. Ainda não se sabe até que ponto a própria cognição cerebral suporta a intensa reincidência de ícones nos dias de hoje. 



A REPETIÇÃO SERIADA, VARIEDADE ZERO E CRIAÇÃO ZERO

NADA AQUI FOI CRIADO, APENAS APROPRIAÇÃO

O OBJETO SEM A PERSONALIDADE DO AUTOR


Vemos uma imagem pronta, exposta pela mídia, sendo automaticamente consumida, e de igual maneira o objeto industrializado produzido de forma padronizada sendo vendido todos os dias. Eles não são produções artística individuais, são muitas vezes, copias da quarta ou quinta geração de uma clonagem super estimulada pela mídia internacional. Quem foi o criador do objeto? Não se conhece! Pois, entre os estímulos visuais que denotam personalidade sobram apenas 1% de sinais desta fonte quase inexistente. A moda gera este fato, a preponderância do “padrão” cria esta relação de valores com uma personalidade de autoria quase imperceptível aos olhos. 



O PRODUTO DO PADRÃO GLOBAL

O PADRÃO QUE A MODA IMPÕE

Os moldes da arte contemporânea estão neste patamar, avolumam-se as replicas. Nos últimos anos em cada 30 mostras de “arte conceitual” exibidas em 5 países ao mesmo tempo, existe um relação icônica entre todas as obras destas mostras, sem nenhuma exceção. Apesar de serem de artistas diferentes e conterem temas diversos, o padrão coletivo assumido não desaparece, porque estas criações não foram partidas da expressão individual, nascida de dentro de cada artista, mas de um suposto modelo global padronizado para a “arte conceitual”. Instiga-se uma acomodação na criação artística, que vai aos poucos destruindo o próprio juízo do gosto. São vastas redes de repetição icônica, são como uma melodia numa só nota musical, assemelhando-se a uma sirene de uma ambulância, impede o prazer e apenas irrita os ouvidos. Da mesma maneira os “padrões visuais reincidentes” cansam a visão e aos indivíduos só restam uma saída, fechar os olhos ou induzir uma forte “desvalorização ao objeto artístico”, para que este não sature o interesse imagético quebrando a continuidade intelectual.


O AUTOR NÃO PRODUZIU, ERA UMA BRINCADEIRA, MAS OS IDIOTAS IMITARAM ATÉ HOJE


REPETIÇÃO SEM MAIS NADA, APENAS REPETIÇÃO


REINCIDENCIA INFINITA E NENHUMA PERSONALIDADE

O fato do esvaziamento do conteúdo artístico na arte contemporânea, depende do grau de aderência ao padrão global da moda estética, ele tende a aumentar a medida em que, os artistas contemporâneos ampliam a aceitação dos padrões oficiais. Está comprovado que, quando existe um isolamento em relação ao centro do império iconográfico oficial, a arte recomeça de forma natural, surgindo a partir de então um produto novo ou seja: “novas propostas”. A partir da primeira década do novo milênio, foram notadas em todo mundo, novas posições em relação a esta saturação global das artes plásticas, e começaram a surgir novas visões e um grande desejo de se libertar dos padrões do “império da moda contemporânea”. Muitos pontos de partida surgiram da própria tecnologia digital, dos designers de estórias de vídeo games e do cinema digital, pois atualmente está muito acentuado o realismo da figura humana nas novas obras de arte. Com o passar do tempo, a imagem figurativa vai crescendo e renascendo com grande intensidade.


LUIS ROYO, FIGURATIVO CONTEMPORÂNEO

LUCIAN FREUD, FIGURATIVO CONTEMPORÂNEO

VLADIMIR VOLEGOV, FIGURATIVO CONTEMPORÂNEO


CHELIN SANJUAN, FIGURATIVO CONTEMPORÂNEO

Apesar das noticias, sobre as mudanças dos rumos das artes plásticas, ainda temos muita perturbação na sensibilidade das pessoas, que sofrem com as imposições oriundas do “poder sobre o gosto”, erguido entre as décadas de 70 e 90. No Brasil essa desordem na forma artística, foi em grande parte resultante do uso indiscriminado dos “ready mades” como proposta artística, onde o objeto se confundia intensamente com o ambiente e os outros objetos de uso comum da sociedade.



 UM CRIANÇA É AFRONTADA MORALMENTE E A ARTE CONTEMPORÂNEA PASSA POR CIMA DA LEI DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE NA BIENAL DE SÃO PAULO, E OS ARTISTAS CONCEITUAIS FICAM IMPUNES.

NINGUEM DA SOCIEDADE TEM OBRIGAÇÃO DE MATAR CHARADAS


UMA INSTALAÇÃO QUE NUNCA VAI SER BEM INTERPRETADA PELA SOCIEDADE


Desenvolveu-se uma corrupção da sensibilidade nos indivíduos, pois o nicho de onde surgiram estas regras eram de entidades com grande reputação sócio-cultural, porém não eram as entidades em si as causadoras do terrorismo ideológico, mas, dos indivíduos que por toda sorte de mecanismos acabavam se tornando presidentes, diretores, coordenadores e curadores destas instituições. A sociedade acabou por acreditar que a fonte era saudável, que as normas da “nova arte” eram as únicas formas para a expressão artística desde então, sentindo-se levada a seguir os padrões impostos pelas fontes supostamente de confiança. Sendo assim, ninguém ousaria contrariar as normas, pois elas diziam que a arte no Brasil só seria aceita se por acaso fosse feita nos padrões da “arte conceitual”.



A ARTE CONCEITUAL FAZENDO O PÚBLICO DE IDIOTA
              
Os conteúdos dos “ready mades”, não eram entendidos, as “charadas” eram postas em público, ninguém discernia e ninguém ousava ir contra a correnteza das idéias impostas. O publico perdeu o juízo do gosto, naquele momento, nada seria tão simples quanto fazer arte, pois colocar objetos em posições diferentes do comum, já insinuava a montagem de um “ready made”, uma “instalação” ou uma proposta de “arte conceitual”, de uma charada para se descobrir o conceito, que o próprio autor não tinha nem a mínima idéia de onde partiria. Anos se passaram, os “filhos” e os “netos” dos adormecidos no senso critico já defendem de unhas e dentes essas “parábolas vazias”. A repetição, a clonagem, a pirataria, a imitação, a copia, o plagio, são as formas mais usadas para se conseguir criar alguma forma de arte visual hoje, pois as escolas de Belas Artes foram destruídas e fechadas, para que a nova ordem tomasse a mente da sociedade. Uma vez lavados, os cérebros dos cidadãos e neles colocados os novos códigos de arte e estes tendo três gerações corrompidas, não resta mais nada a fazer, a não ser, esperar que o mal se dissipe por ele mesmo.


OBJETOS SEM CONTEÚDOS, APROPRIAÇÕES


REPETIÇÃO SERIADA


A REPETIÇÃO NÃO SIGNIFICA CRIAÇÃO


O plagio tornou-se uma forma de ensino no Brasil, o ensino das artes plásticas foi reformulado sem estudos mais profundos, muitos pesquisadores publicaram boas idéias para o ensino da “arte-educação” no primeiro grau, mas devido a falta de experiência, as metodologias foram aplicadas de forma confusa, os professores já não tinham o preparo necessário ao professor de arte, eles nunca praticavam arte, viviam apenas de teorias e atiravam no escuro e muitas vezes para cima onde a bala voltava para a própria cabeça. É lamentável, que tenha ocorrido isto no Brasil, boas teorias precisavam de bons interpretes e as pérolas foram jogadas aos porcos. A repetição icônica foi uma das causas da falta de conteúdo, o fazer artístico dentro do ateliê, a pratica constante foi negada, e formar artistas apenas com teorias só ampliou a destruição do significado da arte, gerou o emburrecimento da sociedade, criou uma idéia coletiva de que, fazer arte é fácil, é não fazer nada, é dar um jeitinho brasileiro, deixando na mente de muitos que: basta pensar que a arte aparece. Infelizmente o gênio da lâmpada não é real, é pura fantasia.


O ÍCONE DA DITADURA ARTISTICA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

OBRIGAR A PLAGIAR NÃO É ENSINAR ARTE

Para muitos, as coisas andam normalmente, mas para a mente humana a liberdade está menor do que há séculos atrás, a criação artística sofre constantemente com a condição única de raciocínio imposta pela mídia, a personalidade individual foi posta de lado, os meios de ensino estão sem poder acompanhar a velocidade da internet, a “ação objetiva da mente” está se sobrepondo ao “pensamento reflexivo” e as ordens de mudar as regras podem chegar inesperadamente e em poucos minutos os cérebros da sociedade assumem um novo padrão. Porém, as práticas da arte continuarão sendo as únicas formas de se alcançar o domínio dos conteúdos, a computação hoje se junta ao artista como uma ferramenta apenas, ela pode ou não ser usada, mas qualquer que seja a expressão artística ela segue esta seqüencia, “autor, matéria manipulada e visualização”, a criação tem que ser vivida pelo autor, se ele se apropria de qualquer objeto e aclama autoria, nada mais estará fazendo do que jogar o significado no abismo, “um grande vazio”, gerando uma metáfora demasiadamente obscura para a inteligência humana, ou de outra forma, criando fantasmas à luz do dia.


O AUTOR NUNCA EXISTIU: ARTE CONCEITUAL

domingo, 10 de julho de 2011

O DESCASO COM AS ARTES PLÁSTICAS E O ESTÍMULO A BANALIZAÇÃO DOS VERDADEIROS VALORES ESTÉTICOS NO BRASIL.



No Brasil o descaso com o ensino das Belas Artes e com os verdadeiros conceitos das artes plásticas estimulou uma deficiência da consciência pública em relação ao gosto estético. Os novos padrões de ensino das artes plásticas foram deteriorando a sensibilidade visual do povo, os novos grupos monopolizadores dos padrões do ensino artístico conduziram o gosto dos brasileiros por um túnel partidário-estético. Existe uma atitude fria e calculista, já oficializada, que “castra a liberdade de expressão” de milhares de artistas plásticos. As instituições culturais estimularam a perda da personalidade perceptiva através de um bombardeio de determinadas ideologias e conceitos de arte. O resultado desta desorientação está no descaso com o ensino das artes plásticas, um problema que gerou uma grande quantidade de caminhos paralelos, que foram criados pelos próprios artistas para fugir desta ditadura do gosto, um fato bem visível nos tempos atuais.
A Arte faz parte da evolução dos seres humanos, está implícita no comportamento visual, assim como os ícones sexuais. Quando a sua naturalidade está sendo bloqueada, a evolução busca um novo caminho para continuar sua trajetória. No Brasil, muitos artistas plásticos fugiram da ditadura estética já oficializada nas escolas e encontraram uma saída através do autodidatismo e da expressão espontânea. Este desdobramento da ação criativa levou os artistas plásticos brasileiros a suprirem as suas ansiedades artísticas e sair do sufoco dos paredões do imperialismo oficial da arte. Hoje os parâmetros usados pelos artistas plásticos são bastante diversificados e a maioria luta por uma libertação dos modelos impostos pelas instituições, que ousaram ditar uma conduta de criação artística, há décadas. Fica bem claro, que o poder político se intrometeu e fez parceria com os condutores desta modernidade sem liberdade (ditadura), que a arte plástica no Brasil adotou, de uma certa forma.
Os trágicos resultados deste conflito de poderes obrigaram os “artistas plásticos livres” a se desdobrarem em varias alternativas, a lutar pelos ideais de conceitos sem imposição e buscar a sua personalidade estética por outros caminhos. Já quebrada a instituição das Belas Artes e substituída totalmente pelo método de formação ideológica, que impõe o estilo e o modelo partidário-estético a seguir pelo aluno, surgiu uma busca intensa por ensinamentos de artes plásticas que não eram regidos por estas ditaduras oficiais do gosto.  Já há algum tempo vem sendo notado no Brasil que existia por parte de iniciantes das artes plásticas, um desejo de não se submeter aos ensinamentos oriundos destas escolas de arte do “novo imperialismo do gosto”, pois muitos ensinamentos aplicados nestes locais vêm sendo conduzidos apenas pelo modelo de arte apresentado nas bienais e nos salões de arte padronizadas como “contemporânea” e já codificada como “conceitual”.



O CASTELO DO PODER SOBRE O GOSTO BRASILEIRO


Como resultado deste processo, houve uma tentativa de se libertar dos padrões impostos, criando-se uma diversidade de formas artísticas, que foi aos poucos sendo adotada pelos artistas brasileiros. Uma grande parte dos artistas plásticos optaram pela liberdade, se tornando autodidatas. O aprendizado das artes plásticas seguiu então dezenas de métodos livres e muitos conseguiram chegar aos níveis de evolução, livres, da ditadura da arte contemporânea, e conseguiram expressar uma qualidade artística com o seu próprio esforço.  Por outra parte, em meio a esta guerra de sobrevivência, surgiram os “plágios”, pois era um caminho que lhes estimulavam o desenvolvimento da criatividade, e ao mesmo tempo a falta de originalidade. Muitos, no processo de criação, copiavam padrões de imagens de diversas fontes e deixavam no seu esforço de elaboração marcas bem explícitas, destes códigos visuais. Por exemplo: A) a copia de figuras humanas de estórias em quadrinhos, trazia um novo estilo na forma humana. Houve uma adaptação destes desenhos, porque já não havia mais a vivencia do desenho com modelos vivos nas escolas. O percentual de padrões absorvidos, dos desenhos digitais de vídeo games de varias escolas de design do Japão e dos Estados Unidos, resultou numa grande perda de personalidade artística dos brasileiros. B) muitos artistas plásticos que sofreram discriminações por manter a identificação com padrões estéticos naturais foram apelidados de acadêmicos, tentaram ajudar os “seus irmãos de arte” a encontrar os seus próprios caminhos, abrindo ateliês e dando cursos de desenho e pintura. Porém, por ser um ensinamento sem o método de uma academia de Belas Artes, e devido a vários fatores que não ajudavam muito, como, a falta de espaço, a falta de dinheiro para pagar um modelo, a ausência de materiais específicos, impulsionou a um novo comportamento artistico, mas carente de técnica e originalidade. C) também houve a busca por técnicas artísticas em fascículos e compêndios de receitas rápidas, como foi o caso das coleções americanas que ensinavam a desenhar e pintar, mas que, teriam um melhor aproveitamento se usados com um mestre em presença física. O lado negativo destes fascículos foi que, estimularam desesperadamente a cópia e o plágio das imagens contidas nos referidos fascículos, desenvolvendo uma grande repetição de padrões e estilos por todo o Brasil. D) podemos ver que uma infinidade de quadros pintados no Brasil ficou com uma herança muito forte dos fascículos mágicos de aprendizado das artes plásticas. Os florais dos fascículos, também foram copiados intensamente, sem composição alguma, apenas signos repetidos, realistas, mais com uma infinidade de luzes e sombras fantasmas. E) o gesto de copiar sem avaliação estética e compositiva tomou conta do Brasil, tudo que tivesse uma boa aparência visual era copiado por muitos artistas, e criou-se no país, uma idéia erronia da arte plástica, que, significava apenas a capacidade de copiar, isto fez aumentar desordenadamente a quantidade de plágios. Depois da destruição dos cursos de Belas Artes, a repetição de padrões estéticos tomou conta da arte brasileira, além dos já conhecidos, “plágios da arte contemporânea”.


UMA ANATOMIA AMERICANA

O DESIGN AMERICANO DOS QUADRINHOS

O DESIGN JAPONES

DOS FLORAIS DECORATIVOS DOS FASCÍCULOS


Muitas pinturas de paisagens hoje, ainda salientam efeitos visuais que não são do nosso clima tropical, tornando-se uma imagem realista e anedótica. Os artistas que não tiveram os mestres acadêmicos buscaram uma evolução técnica, mas devido as fontes de referencia, muitos deixaram transparecer em suas pintura elementos bem estranhos a realidade pictórica local, como no caso dos efeitos atmosféricos estranhos, luzes e cores de paisagens de países muito frios e com atmosfera densa e muitas paisagens apresentam fundos que são muito associados a paisagem de Walt Disney nos desenhos em quadrinho.



ASPECTO ATMOSFÉRICO


UMA IMAGEM ANEDÓTICA


Esta nova geração de “arte imitada”, não é culpada por suas estranhas formas repetidas, pois foi o único caminho que a sociedade artística brasileira encontrou para se expressar depois do fim das Academias, na tentativa de fugir da ditadura estética brasileira chamada “arte contemporânea”, que foi imposta pelo poder corrupto das forças políticas e culturais do Brasil. O senso estético brasileiro ficou altamente bloqueado, chegou ao ponto de não se saber reconhecer nenhum valor artístico, fato comum atualmente, pois quando  interrogamos qualquer cidadão brasileiro em uma exposição numa galeria de arte, e indagamos sobre o valor artístico de uma obra, ele foge da resposta, pois alega apenas que não sabe se gosta ou não gosta de tal obra ou ainda se está na moda. Muitos pensam que “saber copiar toda sorte de imagem” é saber fazer arte e outros pensam que só são artistas “aqueles que seguem os ruídos perceptivos da arte conceitual (contemporânea)”. O povo brasileiro depois desta devassa na ordem do gosto, está perdido e o poder corrupto da cultura atual conseguiu deixar o brasileiro sem sensibilidade estética, apenas agindo como se fosse um robô, esperando as ordens das Bienais e dos críticos corruptos, para saber se gosta ou não de uma pintura ou de uma escultura.
O valor verdadeiro da arte brasileira ainda sobrevive, ainda podemos ver uma boa arte criada por artistas plásticos que resistiram ao “dantesco poder da corrupção cultural do Brasil”, nem a falta das Escolas de Belas Artes, nem a falta de apoio governamental impediram a evolução de muitos artistas plásticos autodidatas, mas que continuaram dando a arte brasileira um sentido estético, e por outro lado a grande autenticidade dos primitivistas brasileiros deve ser constantemente lembrada, pois eles nunca foram abalados em sua criação e ainda hoje, honram o que chamamos de arte brasileira legitima.   


UMA ARTE BRASILEIRA