quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O VAZIO DA ARTE CONTEMPORÂNEA

 
É inútil buscar conteúdo numa arte onde a forma não se define e já não tem personalidade estética, sabe-se que o significado brota do significante, que é a “forma”, condutora da idéia visual no estado imaginário ou físico. A forma na arte se processa através de um mecanismo natural da mente em conjunto com o corpo físico, manipulando a matéria e dando aspectos de semelhanças em relação ao ambiente e a vida, este aspecto visível é notado pelo autor do processo e por outros indivíduos. A arte das formas e da manipulação da matéria é chamada de artes plásticas, surge com a evolução de cada ser humano de forma natural e espontânea, desde os primeiros meses de vida. O fazer arte é tão vital quanto respirar e falar, pois se taparmos o nariz e a boca de uma pessoa, a sua vitalidade cessa. Criar uma forma é se projetar na matéria, manipulando-a e deixando que a personalidade se transfira para uma dimensão paralela, onde ali, a mesma represente o individuo num estado sutil, mas carregada de informações referenciais de si.


A ARTE DA MANIPULAÇÃO DA MATERIA: "ARTES PLÁSTICAS"

A CONDUÇÃO DA IDEIA VISUAL


A PERSONALIDADE SE TRANSFERE PARA A MATÉRIA

O individuo hoje está se afastando do seu processo artístico nato, onde construía seus próprios códigos visuais, ele está sendo levado a amputar mecanismos do seu instinto de comunicação icônica, que valorizava o ambiente e seus processos de mutação harmonicamente. Éramos formadores de signos junto à natureza, assim como faz uma centena de animais, construindo “códigos de formas” para comunicar a sua mutação, a sua relação com o mundo e os predadores, como também para criar o ambiente para o ritual de acasalamento. São atos de arte, simples, dos mais imperceptíveis aos mais sofisticados. À medida que a atitude coletiva avança com a globalização, esmaga a personalidade e a vida dos seres humanos vai se distanciando da sua individuação, acaba-se a liberdade de expressão e conduta pessoal. Tornando-se utópica a propriedade intelectual dos indivíduos, ele é forçado a gerar repetições para manter o padrão coletivo. Hoje um produto de expressão coletiva pode ser encontrado em prateleiras de lojas, tentando ser identificado por algum comprador que por acaso saiba qual o padrão da moda que foi estabelecido para a determinada época.


A NATUREZA CONSTROI CÓDIGOS

O PÁSSARO JARDINEIRO, UM GRANDE ARTISTA

A individualidade está se dissolvendo, num oceano de predominâncias estéticas conduzidas, não mais com um teor pessoal, porem acorrentando o criador-artista a uma contradição estúpida, transformando a arte em um ato vazio e sem conteúdo. A impregnância de códigos visuais nascida da ressonância da construção da forma está perdendo a sua vitalidade no “homem contemporâneo”, vai cedendo o seu espaço ao poder coletivo, sem deixar sinais de positividade para uma nova estética dos próximos tempos. O inconsciente coletivo modela o individuo por uma persuasão constante, impondo valores gerados por diversos canais de comunicação, onde o reforço são as atitudes de enganos partidas dos poderes oficiais que monopolizam o gosto e neutralizam a analise individual.  Já está evidente a falta de alternância dos ritmos estéticos, cessou a “mutação criativa” na arte contemporânea, a clonagem dos padrões é constante, principalmente nas expressões tidas como “arte conceitual”. Todo o ritmo desaparece, dando lugar a uma malha iconográfica seriada, que vem  estagnando a criação individual. Ainda não se sabe até que ponto a própria cognição cerebral suporta a intensa reincidência de ícones nos dias de hoje. 



A REPETIÇÃO SERIADA, VARIEDADE ZERO E CRIAÇÃO ZERO

NADA AQUI FOI CRIADO, APENAS APROPRIAÇÃO

O OBJETO SEM A PERSONALIDADE DO AUTOR


Vemos uma imagem pronta, exposta pela mídia, sendo automaticamente consumida, e de igual maneira o objeto industrializado produzido de forma padronizada sendo vendido todos os dias. Eles não são produções artística individuais, são muitas vezes, copias da quarta ou quinta geração de uma clonagem super estimulada pela mídia internacional. Quem foi o criador do objeto? Não se conhece! Pois, entre os estímulos visuais que denotam personalidade sobram apenas 1% de sinais desta fonte quase inexistente. A moda gera este fato, a preponderância do “padrão” cria esta relação de valores com uma personalidade de autoria quase imperceptível aos olhos. 



O PRODUTO DO PADRÃO GLOBAL

O PADRÃO QUE A MODA IMPÕE

Os moldes da arte contemporânea estão neste patamar, avolumam-se as replicas. Nos últimos anos em cada 30 mostras de “arte conceitual” exibidas em 5 países ao mesmo tempo, existe um relação icônica entre todas as obras destas mostras, sem nenhuma exceção. Apesar de serem de artistas diferentes e conterem temas diversos, o padrão coletivo assumido não desaparece, porque estas criações não foram partidas da expressão individual, nascida de dentro de cada artista, mas de um suposto modelo global padronizado para a “arte conceitual”. Instiga-se uma acomodação na criação artística, que vai aos poucos destruindo o próprio juízo do gosto. São vastas redes de repetição icônica, são como uma melodia numa só nota musical, assemelhando-se a uma sirene de uma ambulância, impede o prazer e apenas irrita os ouvidos. Da mesma maneira os “padrões visuais reincidentes” cansam a visão e aos indivíduos só restam uma saída, fechar os olhos ou induzir uma forte “desvalorização ao objeto artístico”, para que este não sature o interesse imagético quebrando a continuidade intelectual.


O AUTOR NÃO PRODUZIU, ERA UMA BRINCADEIRA, MAS OS IDIOTAS IMITARAM ATÉ HOJE


REPETIÇÃO SEM MAIS NADA, APENAS REPETIÇÃO


REINCIDENCIA INFINITA E NENHUMA PERSONALIDADE

O fato do esvaziamento do conteúdo artístico na arte contemporânea, depende do grau de aderência ao padrão global da moda estética, ele tende a aumentar a medida em que, os artistas contemporâneos ampliam a aceitação dos padrões oficiais. Está comprovado que, quando existe um isolamento em relação ao centro do império iconográfico oficial, a arte recomeça de forma natural, surgindo a partir de então um produto novo ou seja: “novas propostas”. A partir da primeira década do novo milênio, foram notadas em todo mundo, novas posições em relação a esta saturação global das artes plásticas, e começaram a surgir novas visões e um grande desejo de se libertar dos padrões do “império da moda contemporânea”. Muitos pontos de partida surgiram da própria tecnologia digital, dos designers de estórias de vídeo games e do cinema digital, pois atualmente está muito acentuado o realismo da figura humana nas novas obras de arte. Com o passar do tempo, a imagem figurativa vai crescendo e renascendo com grande intensidade.


LUIS ROYO, FIGURATIVO CONTEMPORÂNEO

LUCIAN FREUD, FIGURATIVO CONTEMPORÂNEO

VLADIMIR VOLEGOV, FIGURATIVO CONTEMPORÂNEO


CHELIN SANJUAN, FIGURATIVO CONTEMPORÂNEO

Apesar das noticias, sobre as mudanças dos rumos das artes plásticas, ainda temos muita perturbação na sensibilidade das pessoas, que sofrem com as imposições oriundas do “poder sobre o gosto”, erguido entre as décadas de 70 e 90. No Brasil essa desordem na forma artística, foi em grande parte resultante do uso indiscriminado dos “ready mades” como proposta artística, onde o objeto se confundia intensamente com o ambiente e os outros objetos de uso comum da sociedade.



 UM CRIANÇA É AFRONTADA MORALMENTE E A ARTE CONTEMPORÂNEA PASSA POR CIMA DA LEI DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE NA BIENAL DE SÃO PAULO, E OS ARTISTAS CONCEITUAIS FICAM IMPUNES.

NINGUEM DA SOCIEDADE TEM OBRIGAÇÃO DE MATAR CHARADAS


UMA INSTALAÇÃO QUE NUNCA VAI SER BEM INTERPRETADA PELA SOCIEDADE


Desenvolveu-se uma corrupção da sensibilidade nos indivíduos, pois o nicho de onde surgiram estas regras eram de entidades com grande reputação sócio-cultural, porém não eram as entidades em si as causadoras do terrorismo ideológico, mas, dos indivíduos que por toda sorte de mecanismos acabavam se tornando presidentes, diretores, coordenadores e curadores destas instituições. A sociedade acabou por acreditar que a fonte era saudável, que as normas da “nova arte” eram as únicas formas para a expressão artística desde então, sentindo-se levada a seguir os padrões impostos pelas fontes supostamente de confiança. Sendo assim, ninguém ousaria contrariar as normas, pois elas diziam que a arte no Brasil só seria aceita se por acaso fosse feita nos padrões da “arte conceitual”.



A ARTE CONCEITUAL FAZENDO O PÚBLICO DE IDIOTA
              
Os conteúdos dos “ready mades”, não eram entendidos, as “charadas” eram postas em público, ninguém discernia e ninguém ousava ir contra a correnteza das idéias impostas. O publico perdeu o juízo do gosto, naquele momento, nada seria tão simples quanto fazer arte, pois colocar objetos em posições diferentes do comum, já insinuava a montagem de um “ready made”, uma “instalação” ou uma proposta de “arte conceitual”, de uma charada para se descobrir o conceito, que o próprio autor não tinha nem a mínima idéia de onde partiria. Anos se passaram, os “filhos” e os “netos” dos adormecidos no senso critico já defendem de unhas e dentes essas “parábolas vazias”. A repetição, a clonagem, a pirataria, a imitação, a copia, o plagio, são as formas mais usadas para se conseguir criar alguma forma de arte visual hoje, pois as escolas de Belas Artes foram destruídas e fechadas, para que a nova ordem tomasse a mente da sociedade. Uma vez lavados, os cérebros dos cidadãos e neles colocados os novos códigos de arte e estes tendo três gerações corrompidas, não resta mais nada a fazer, a não ser, esperar que o mal se dissipe por ele mesmo.


OBJETOS SEM CONTEÚDOS, APROPRIAÇÕES


REPETIÇÃO SERIADA


A REPETIÇÃO NÃO SIGNIFICA CRIAÇÃO


O plagio tornou-se uma forma de ensino no Brasil, o ensino das artes plásticas foi reformulado sem estudos mais profundos, muitos pesquisadores publicaram boas idéias para o ensino da “arte-educação” no primeiro grau, mas devido a falta de experiência, as metodologias foram aplicadas de forma confusa, os professores já não tinham o preparo necessário ao professor de arte, eles nunca praticavam arte, viviam apenas de teorias e atiravam no escuro e muitas vezes para cima onde a bala voltava para a própria cabeça. É lamentável, que tenha ocorrido isto no Brasil, boas teorias precisavam de bons interpretes e as pérolas foram jogadas aos porcos. A repetição icônica foi uma das causas da falta de conteúdo, o fazer artístico dentro do ateliê, a pratica constante foi negada, e formar artistas apenas com teorias só ampliou a destruição do significado da arte, gerou o emburrecimento da sociedade, criou uma idéia coletiva de que, fazer arte é fácil, é não fazer nada, é dar um jeitinho brasileiro, deixando na mente de muitos que: basta pensar que a arte aparece. Infelizmente o gênio da lâmpada não é real, é pura fantasia.


O ÍCONE DA DITADURA ARTISTICA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

OBRIGAR A PLAGIAR NÃO É ENSINAR ARTE

Para muitos, as coisas andam normalmente, mas para a mente humana a liberdade está menor do que há séculos atrás, a criação artística sofre constantemente com a condição única de raciocínio imposta pela mídia, a personalidade individual foi posta de lado, os meios de ensino estão sem poder acompanhar a velocidade da internet, a “ação objetiva da mente” está se sobrepondo ao “pensamento reflexivo” e as ordens de mudar as regras podem chegar inesperadamente e em poucos minutos os cérebros da sociedade assumem um novo padrão. Porém, as práticas da arte continuarão sendo as únicas formas de se alcançar o domínio dos conteúdos, a computação hoje se junta ao artista como uma ferramenta apenas, ela pode ou não ser usada, mas qualquer que seja a expressão artística ela segue esta seqüencia, “autor, matéria manipulada e visualização”, a criação tem que ser vivida pelo autor, se ele se apropria de qualquer objeto e aclama autoria, nada mais estará fazendo do que jogar o significado no abismo, “um grande vazio”, gerando uma metáfora demasiadamente obscura para a inteligência humana, ou de outra forma, criando fantasmas à luz do dia.


O AUTOR NUNCA EXISTIU: ARTE CONCEITUAL

domingo, 10 de julho de 2011

O DESCASO COM AS ARTES PLÁSTICAS E O ESTÍMULO A BANALIZAÇÃO DOS VERDADEIROS VALORES ESTÉTICOS NO BRASIL.



No Brasil o descaso com o ensino das Belas Artes e com os verdadeiros conceitos das artes plásticas estimulou uma deficiência da consciência pública em relação ao gosto estético. Os novos padrões de ensino das artes plásticas foram deteriorando a sensibilidade visual do povo, os novos grupos monopolizadores dos padrões do ensino artístico conduziram o gosto dos brasileiros por um túnel partidário-estético. Existe uma atitude fria e calculista, já oficializada, que “castra a liberdade de expressão” de milhares de artistas plásticos. As instituições culturais estimularam a perda da personalidade perceptiva através de um bombardeio de determinadas ideologias e conceitos de arte. O resultado desta desorientação está no descaso com o ensino das artes plásticas, um problema que gerou uma grande quantidade de caminhos paralelos, que foram criados pelos próprios artistas para fugir desta ditadura do gosto, um fato bem visível nos tempos atuais.
A Arte faz parte da evolução dos seres humanos, está implícita no comportamento visual, assim como os ícones sexuais. Quando a sua naturalidade está sendo bloqueada, a evolução busca um novo caminho para continuar sua trajetória. No Brasil, muitos artistas plásticos fugiram da ditadura estética já oficializada nas escolas e encontraram uma saída através do autodidatismo e da expressão espontânea. Este desdobramento da ação criativa levou os artistas plásticos brasileiros a suprirem as suas ansiedades artísticas e sair do sufoco dos paredões do imperialismo oficial da arte. Hoje os parâmetros usados pelos artistas plásticos são bastante diversificados e a maioria luta por uma libertação dos modelos impostos pelas instituições, que ousaram ditar uma conduta de criação artística, há décadas. Fica bem claro, que o poder político se intrometeu e fez parceria com os condutores desta modernidade sem liberdade (ditadura), que a arte plástica no Brasil adotou, de uma certa forma.
Os trágicos resultados deste conflito de poderes obrigaram os “artistas plásticos livres” a se desdobrarem em varias alternativas, a lutar pelos ideais de conceitos sem imposição e buscar a sua personalidade estética por outros caminhos. Já quebrada a instituição das Belas Artes e substituída totalmente pelo método de formação ideológica, que impõe o estilo e o modelo partidário-estético a seguir pelo aluno, surgiu uma busca intensa por ensinamentos de artes plásticas que não eram regidos por estas ditaduras oficiais do gosto.  Já há algum tempo vem sendo notado no Brasil que existia por parte de iniciantes das artes plásticas, um desejo de não se submeter aos ensinamentos oriundos destas escolas de arte do “novo imperialismo do gosto”, pois muitos ensinamentos aplicados nestes locais vêm sendo conduzidos apenas pelo modelo de arte apresentado nas bienais e nos salões de arte padronizadas como “contemporânea” e já codificada como “conceitual”.



O CASTELO DO PODER SOBRE O GOSTO BRASILEIRO


Como resultado deste processo, houve uma tentativa de se libertar dos padrões impostos, criando-se uma diversidade de formas artísticas, que foi aos poucos sendo adotada pelos artistas brasileiros. Uma grande parte dos artistas plásticos optaram pela liberdade, se tornando autodidatas. O aprendizado das artes plásticas seguiu então dezenas de métodos livres e muitos conseguiram chegar aos níveis de evolução, livres, da ditadura da arte contemporânea, e conseguiram expressar uma qualidade artística com o seu próprio esforço.  Por outra parte, em meio a esta guerra de sobrevivência, surgiram os “plágios”, pois era um caminho que lhes estimulavam o desenvolvimento da criatividade, e ao mesmo tempo a falta de originalidade. Muitos, no processo de criação, copiavam padrões de imagens de diversas fontes e deixavam no seu esforço de elaboração marcas bem explícitas, destes códigos visuais. Por exemplo: A) a copia de figuras humanas de estórias em quadrinhos, trazia um novo estilo na forma humana. Houve uma adaptação destes desenhos, porque já não havia mais a vivencia do desenho com modelos vivos nas escolas. O percentual de padrões absorvidos, dos desenhos digitais de vídeo games de varias escolas de design do Japão e dos Estados Unidos, resultou numa grande perda de personalidade artística dos brasileiros. B) muitos artistas plásticos que sofreram discriminações por manter a identificação com padrões estéticos naturais foram apelidados de acadêmicos, tentaram ajudar os “seus irmãos de arte” a encontrar os seus próprios caminhos, abrindo ateliês e dando cursos de desenho e pintura. Porém, por ser um ensinamento sem o método de uma academia de Belas Artes, e devido a vários fatores que não ajudavam muito, como, a falta de espaço, a falta de dinheiro para pagar um modelo, a ausência de materiais específicos, impulsionou a um novo comportamento artistico, mas carente de técnica e originalidade. C) também houve a busca por técnicas artísticas em fascículos e compêndios de receitas rápidas, como foi o caso das coleções americanas que ensinavam a desenhar e pintar, mas que, teriam um melhor aproveitamento se usados com um mestre em presença física. O lado negativo destes fascículos foi que, estimularam desesperadamente a cópia e o plágio das imagens contidas nos referidos fascículos, desenvolvendo uma grande repetição de padrões e estilos por todo o Brasil. D) podemos ver que uma infinidade de quadros pintados no Brasil ficou com uma herança muito forte dos fascículos mágicos de aprendizado das artes plásticas. Os florais dos fascículos, também foram copiados intensamente, sem composição alguma, apenas signos repetidos, realistas, mais com uma infinidade de luzes e sombras fantasmas. E) o gesto de copiar sem avaliação estética e compositiva tomou conta do Brasil, tudo que tivesse uma boa aparência visual era copiado por muitos artistas, e criou-se no país, uma idéia erronia da arte plástica, que, significava apenas a capacidade de copiar, isto fez aumentar desordenadamente a quantidade de plágios. Depois da destruição dos cursos de Belas Artes, a repetição de padrões estéticos tomou conta da arte brasileira, além dos já conhecidos, “plágios da arte contemporânea”.


UMA ANATOMIA AMERICANA

O DESIGN AMERICANO DOS QUADRINHOS

O DESIGN JAPONES

DOS FLORAIS DECORATIVOS DOS FASCÍCULOS


Muitas pinturas de paisagens hoje, ainda salientam efeitos visuais que não são do nosso clima tropical, tornando-se uma imagem realista e anedótica. Os artistas que não tiveram os mestres acadêmicos buscaram uma evolução técnica, mas devido as fontes de referencia, muitos deixaram transparecer em suas pintura elementos bem estranhos a realidade pictórica local, como no caso dos efeitos atmosféricos estranhos, luzes e cores de paisagens de países muito frios e com atmosfera densa e muitas paisagens apresentam fundos que são muito associados a paisagem de Walt Disney nos desenhos em quadrinho.



ASPECTO ATMOSFÉRICO


UMA IMAGEM ANEDÓTICA


Esta nova geração de “arte imitada”, não é culpada por suas estranhas formas repetidas, pois foi o único caminho que a sociedade artística brasileira encontrou para se expressar depois do fim das Academias, na tentativa de fugir da ditadura estética brasileira chamada “arte contemporânea”, que foi imposta pelo poder corrupto das forças políticas e culturais do Brasil. O senso estético brasileiro ficou altamente bloqueado, chegou ao ponto de não se saber reconhecer nenhum valor artístico, fato comum atualmente, pois quando  interrogamos qualquer cidadão brasileiro em uma exposição numa galeria de arte, e indagamos sobre o valor artístico de uma obra, ele foge da resposta, pois alega apenas que não sabe se gosta ou não gosta de tal obra ou ainda se está na moda. Muitos pensam que “saber copiar toda sorte de imagem” é saber fazer arte e outros pensam que só são artistas “aqueles que seguem os ruídos perceptivos da arte conceitual (contemporânea)”. O povo brasileiro depois desta devassa na ordem do gosto, está perdido e o poder corrupto da cultura atual conseguiu deixar o brasileiro sem sensibilidade estética, apenas agindo como se fosse um robô, esperando as ordens das Bienais e dos críticos corruptos, para saber se gosta ou não de uma pintura ou de uma escultura.
O valor verdadeiro da arte brasileira ainda sobrevive, ainda podemos ver uma boa arte criada por artistas plásticos que resistiram ao “dantesco poder da corrupção cultural do Brasil”, nem a falta das Escolas de Belas Artes, nem a falta de apoio governamental impediram a evolução de muitos artistas plásticos autodidatas, mas que continuaram dando a arte brasileira um sentido estético, e por outro lado a grande autenticidade dos primitivistas brasileiros deve ser constantemente lembrada, pois eles nunca foram abalados em sua criação e ainda hoje, honram o que chamamos de arte brasileira legitima.   


UMA ARTE BRASILEIRA

terça-feira, 22 de março de 2011

A DECADÊNCIA DO ENSINO DAS ARTES PLÁSTICAS NO BRASIL


No inicio do século passado, o Brasil tentou reagir aos antigos métodos de ensino da Arte, trazidos da Europa por mestres de grandes escolas - tentando entrar na modernidade européia, que também era resultante do ensino dos antigos mestres - uma grande contradição. O momento vivenciado não ajudou a desenvolver nenhuma “nova escola”, por outro lado, incentivou a imitação dos movimentos de arte contemporâneos da Europa, copiando e adotando formas e padrões de outros artistas, como regra determinante. A modernidade artística, ocorrida no Brasil, se estabelece praticamente por um processo inseguro e apressado, em face aos momentos políticos e financeiros que o Brasil passava na época. As primeiras Escolas de Belas Artes do Brasil foram criadas a partir de tecnologias desenvolvidas em Escolas da Europa, seguindo um vasto conhecimento metodológico, amadurecido ao longo de séculos, na França, Itália, Espanha, Holanda, Bélgica e Portugal. Estas Escolas brasileiras, no inicio do século, formavam mestres que aprendiam infinitas técnicas de arte, e já estavam nesta época, num processo de transformação e adaptação aos anseios dos artistas brasileiros.


NO BRASIL HAVIA GRANDES ESCOLAS DE BELAS ARTES, COMO: RIO DE JANEIRO, BAHIA, SÃO PAULO E PERNAMBUCO (DESTRUIDA)




É uma pena, que o ensino das Belas Artes no Brasil hoje, esteja à beira do abismo e tecnicamente esvaziado. A sensibilidade artística Contemporânea no Brasil foi corrompida por uma ação persuasiva, dirigida pela hierarquia do poder político-intelectual, introduzindo-se por aventureiros da arte e muitos passaram a dominar a máquina administrativa cultural. Este fato já atravessa décadas e vem reprimindo a opinião publica e induzindo um gosto artístico na percepção do povo. Criam-se muitas forças monopolizadoras, seguidoras e divulgadoras de uma “moda no comportamento estético”, atuando indiscriminadamente na sensibilidade artística e no julgamento estético individual e coletivo (dos brasileiros), atuando como uma catequese imperialista e devastadora, dos tempos atuais. Impõe-se um esvaziamento da lógica e da ética nas reações perceptivas de cada individuo, resultando num conflito da sensibilidade artística, e este fato agora, está sendo visto por muitos analistas como um “conflito estético induzido”. Muitas vezes este comportamento é resultante da pressão regida pela internacionalização da forma de conduta, sendo avaliado também que, culturas com maior poder político e econômico sobrepõem-se a outras menos estruturadas educacionalmente, aumentando a ação imitativa. O efeito desta superposição cultural torna-se mais evidente em paises em desenvolvimento, que por dificuldades econômicas, apresentam uma incapacidade de manter a sua historia e sua personalidade cultural e artística.

Os movimentos de Arte Moderna no Brasil foram desenvolvidos, com o apoio de poderes políticos e econômicos, e muitas razões até se tornaram ocultas para a sociedade, que os engoliu de garganta abaixo sem nenhuma reavaliação. Muitas dessas ações causaram estragos devastadores na evolução cultural do povo e especificamente ao padrão da criação artística no Brasil. Houve uma grande destruição de bons padrões no ensino da arte, já com raízes prestes a fazer brotar uma personalidade brasileira, mas com a chegada da dita modernidade e da ultima ditadura no Brasil, houve uma larga diminuição da liberdade de criação e de raciocínio estético. Os valores que vinham anteriormente se ajustando à classe intelectual do país foram reprimidos intensamente, e as estruturas culturais foram monopolizadas e administradas de forma ditatorial, sem direito a recusa. A Educação no Brasil neste período, não pôde parar para ser avaliada e reestruturada, e gerou modelos estranhos às necessidades brasileiras, germinando metodologias controversas e imperialistas, baseadas em “Plagio de padrões Educacionais de outros paises”. Durante décadas, o Brasil negou-se a reavaliar os fatos decorrentes deste processo, onde a verdadeira necessidade educacional ficou apenas determinada por ideologias e métodos de alguns intelectuais que se afastaram do Brasil para beber nas fontes estrangeiras, ou seja: nas necessidades intelectuais de outras culturas. Seria mais lógico e honesto, buscar o conhecimento científico, desenvolvê-lo no Brasil, trabalhando uma metodologia nova, mas com parâmetros adaptados especificamente as carências existentes no país.


A ARTE BRASILEIRA ESTAVA SENDO REPRESENTADA POR GRANDES MESTRES, COMO: ALMEIDA JUNIOR, BIBIANO SILVA, ALEIJADINHO E PORTINARI.





O ensino das Belas Artes no Brasil foi sucateado e até chegou a ser banalizado, pela reação aos modelos estrangeiros de modernidade, no começo do século passado, os cursos de Belas Artes com formação universitária, foram aos poucos sendo banidos do nosso território, pela força devastadora da “agonia da reforma”, havia uma vontade de imitar os paises em desenvolvimento industrial, fugindo até, a verdadeira lógica destes paises desenvolvidos, que na verdade, nunca acabaram com suas grandes “Academias de Belas Artes”, apesar da existência da Modernidade. Inconscientemente, os valores nacionalistas de arte, foram despejados no “ralo”, e tudo que se havia desenvolvido no Brasil, como personalidade intelectual e artística, cedeu ao domínio dos padrões da “Moda Estética de alguns paises”. Parecia até uma lei irrevogável: Ou se plagia ou não se faz arte!”. Pouco a pouco, o ensino das técnicas já desenvolvidas por artistas e professores de Belas Artes brasileiros, foi sucumbindo-se sob a pressão dos padrões monopolizadores desta moda estética. Foram criados métodos de ensino alienígenas, que aos poucos foram adotados, sacramentados e impostos pelo sistema educacional brasileiro, e a maioria dos professores de Belas Artes seguiram este processo de robotização sob pena de ficar antiquado, perante a nova sociedade ou “cultura dos plágios”. Os Grandes Mestres da Pintura e da Escultura do Brasil foram enterrados vivos, abandonou-se verdadeiras obras de arte, tiraram da mídia todo e qualquer artista que não seguia a “falsa modernidade brasileira”, os monopolizadores da nova cultura brasileira, impuseram a substituição do verdadeiros mestres da arte brasileira, pelos plagiadores de arte européia, negando uma obra de grande força estética já existente,  reverenciando apenas os que fizeram parte da Semana de Arte de 1922. Os grandes pintores, escultores e gravadores de todo o Brasil, que não estavam nesta adesão, foram escondidos da mídia, e continuam até os dias de hoje, como malditos na sociedade moderna brasileira.

O avassalador poder da última “Ditadura”, negou ao povo brasileiro, a espontaneidade do aprendizado natural da Arte, pois endossou a falsa modernidade brasileira, e conjuntamente a isto, trouxe o desespero da perseguição aos intelectuais, esvaziou a personalidade educacional artística e deixou seqüelas irremediáveis. Dentro deste desespero da guerra social e política brasileira, surgiu um novo parâmetro de leis e decretos, que passaria a reger o aprendizado das Artes Plásticas no Brasil, criando-se novos cursos que substituiriam os antigos, que já eram suficientes para a formação artística nacional. Os “Bacharelados em Belas Artes” foram substituídos por outros como a “Licenciatura em Artes Plástica” e a “ Licenciatura em Desenho e Plástica”, e apesar destes sistemas serem indicados propriamente ao acréscimo do conteúdo teórico no ensino pedagógico, substituiriam totalmente os cursos que formavam Artistas, com a prática de Arte nos Ateliês. Ficando a sociedade, então, sem a formação Artística de níveo Superior, o que foi maravilhoso para o “poder da Ditadura”, enfraquecendo amplamente a capacidade de discernimento do povo, com o afastamento dos Artistas Plásticos das Universidades.  “O que vale a pena ressaltar, é que, os fatos não foram por acaso, pois: “as artes plásticas, trabalham a sensibilidade do individuo, com símbolos e ícones, com infinito poder de comunicação e com certeza, passariam informações ideológicas ao povo com muita velocidade”. Entre a década de sessenta e a década de oitenta, começou a ocorrer uma falência total do ensino das Artes Plásticas no Brasil, estimulou-se a mediocridade artística, conjuntamente com o plagio e o autodidatismo. Criou-se então uma “organização oculta”, na administração de órgãos culturais, que foi aos poucos monopolizando as normas de estética do país, que antes mantinham um profundo valor semântico de comunicação, passou a dar lugar a uma abertura maciça de “artes” desprovidas de informações ideológicas, que satisfaziam perfeitamente ao sistema da ditadura (os primeiros conceitos de arte contemporânea).



A GRANDE CULTURA DOS PLÁGIOS, FOI OFICIALIZADA NA ARTE CONTEMPORÂNEA BRASILEIRA





A formação desenvolvida na “Licenciatura em Artes Plásticas” era utópica, pois a maioria dos formandos não possuíam capacidade prática nas artes plásticas e assumiam a responsabilidade de ensinar a prática das Artes Plásticas nas Escolas, sem quase nenhum conhecimento do assunto, visto que, a maioria dependia apenas de receitas e normas teóricas aplicadas, oriundas de ideologias personalizadas, discutidas em salas das universidades. As aulas de artes perfaziam um processo de esvaziamento dos métodos práticos (ateliês), partindo de uma lavagem cerebral, que buscava exterminar os sentimentos naturais da arte, quebrando totalmente a “ansiedade criativa dos alunos”, trocando o conteúdo teórico-prático por uma tempestade de conceitos de educação artística totalmente afastada da “Produção Artística Manual”. A maioria destas aulas objetivavam conduzir o aluno para uma fantasia, ou seja, prometiam aprender arte sem praticar. Da década de oitenta aos dias atuais, 80% dos professores de Artes Plásticas no Brasil, foram impulsionados pela metodologia criada na ditadura (teoria e plagio), e muitos não sabem desenhar, pintar, gravar, esculpir, etc. e lhes sobram apenas dados repassados por outros, que por ordem natural, não os ajudaram a dominar a pratica das artes. Uma imensa dissonância no ensino das Artes do Brasil, pois não temos agora, nos dias atuais, professores com competência prática das Artes Plásticas, para a atuação que exigem as próprias disciplinas do Primeiro Grau. As falhas deixadas pela ditadura na educação estão mascaradas, e agora andam por baixo de armaduras, proibidas de mostrar as suas faces, sabe-se que existem, mas ninguém as assume ou se arrisca a denunciar.  A Ditadura gerou uma centena de decadências no ensino brasileiro para a formação artística, e é uma vergonha para o país tentar se pronunciar como “grande potencia”, depois de ter destruído totalmente a estrutura intelectual do povo. Atualmente o Ministério de Educação criou a maior das redundâncias no ensino brasileiro, transformou a Licenciatura em Artes Plásticas em Licenciatura em Artes Visuais, que é apenas, um requisito para a existência das artes plásticas (VER, TOCAR E PLASMAR), fato que deixa bem claro a incompetência profissional na área, pois para não deixar-se desdobrar a devastadora verdade sobre o ensino das artes Plástica no Brasil, criou-se uma nova nomenclatura para o aprendizado das artes plásticas (Artes Visuais), misturando-se a outras áreas profissionais, camuflando os erros e as aberrações administrativas do ensino e a falta de lógica, demasiadamente visível nos últimos anos.  Só que, estas decisões feitas, à toque de caixa, como é comum no Brasil, vão levar a profissionalização Artística no Brasil a um caos sem volta.

Como já não bastassem as aventuras do ensino da arte quando as escolas tinham que colocar professores, extremamente alheios ao conhecimento das artes, para suprir as carências oriundas da péssima formação nas Artes Plásticas, e as necessidades de conteúdos esquecidas, e aplicadas apenas com métodos teóricos, agora será ainda pior, pois o ajustamento intelectual da juventude já está se processando por um padrão da mídia, onde não se irá acrescentar muito ao aprendizado destas crianças e adolescentes, e a tentativa de inserir centenas de teorias nas cabeças destes alunos, nunca alcançará mais que 5% de conceitos em sua formação. Se não houver uma reavaliação, no ensino das Artes Plásticas no Brasil e se não procurarmos fazer uma analise profunda, junta com professores que não estão presos a este sistema imperialista, junto a pesquisadores que reconhecem os erros cometidos no passado, afastando a corrupção administrativa da educação brasileira, nada poderá ter resultado positivo, e o ensino da arte no Brasil, será apenas um rosto sem personalidade, sujeito apenas às decisões do poderes ocultos da intelectualidade Contemporânea.   


A FORMA DE ARTE QUE IMPUSERAM AOS ALUNOS DE EDUCAÇÃO ARTÍSTICA, ESTAVA LONGE DE TER SENTIDO, ERA SÓ UMA TRANSFERÊNCIA DE OBJETOS, SEM MANIPULAÇÃO PLÁSTICA.





O Brasil continua crescendo e junto com ele o peso da péssima educação, os reflexos da ditadura, os elementos negativos infiltrados na estrutura do sistema educacional do país, são como vírus auto-suficientes, à medida que, se tenta destruí-los, novos vírus se desdobram por meios invisíveis, armados de poder, pois foi por este caminho que a nova estrutura educacional se firmou no Brasil, há mais de quatro décadas, sem nenhuma avaliação justa e sem impedimento. Filhos da Ditadura preenchem os Órgãos Culturais do Brasil, indivíduos muitas vezes incompetentes na área das Belas Artes (Artes Plásticas), escondem em suas mascaras, seus grandes poderes, ditando a “Moda na Educação da Arte no Brasil”, como se a moda fosse a base para o ensino Acadêmico nas Universidades do Mundo. Uma tragédia, pois a “Moda” tornou-se um “quinto elemento” de força, na intelectualidade brasileira, fato assumido no começo do século passado, como uma paranóia oficial. Hoje, no país, existe até Moda para a “Universalidade da Ciência das Artes”, que antes foi criada a partir da liberdade da pesquisa e do conhecimento. Nunca se viu na maioria dos paises do mundo, uma “Universidade Ideológica”, pois aqui, é a única morada deste sistema, talvez seja o “Final dos Tempos da Educação no Brasil” ou o “Demônio da Ditadura que ainda está vivendo na alma de muitos brasileiros”.

Hoje, é muito comum no Brasil, escutar da boca de Artistas Plásticas, a seguinte frase: “Eu jamais aprenderia Artes Plásticas em uma Universidade Brasileira, pois jamais poderia desenvolver o que faço, com os professores de Arte de hoje, que não sabem nem desenhar e nem pintar!” Alunos de varias Universidades brasileiras já se dizem arrependidos, quando descobrem que os cursos de Artes Visuais, já não os preenchem de conhecimentos práticos da arte, e tudo o que resta a fazer é tentar descobrir a prática da arte por si só, e para tal, estes não precisariam de Universidade.  Quase 50 % dos alunos que estão realizando estes cursos irão abandoná-los antes do seu término, e o ensino das artes vai continuar o seu ciclo de decadência, vivenciando uma arte sem prática e sem estímulo. O conflito existente entre os alunos do primeiro e o segundo grau é muito grande, pois individualmente eles necessitam de arte, de meios para descarregar as suas ansiedades intelectuais, e as experiências que tiveram foram apenas superficiais, em termos de praticas artísticas, as receitas trazidas pelos “professores mal formados” lhes deram, insegurança de valores estéticos, pois em certas escolas tiveram que ver “aberrações e mutilações de arte conceitual” como se fosse uma expressão de verdadeira arte. Desta forma, estes alunos, passaram a buscar uma expressão mais pura de arte através do ímpeto autodidata, fazendo grafites nas paredes, copiando as revistas em quadrinhos e criando personagens que lhes dariam mais lógica de arte do que as visitações aos monturos, mausoléus pornográficos e necromaníacos, existentes nas galerias e museus dos órgãos públicos do Brasil. 


INDUZIRAM OS ALUNOS DA EDUCAÇÃO ARTÍSTICA BRASILEIRA, A UMA EXPRESSÃO QUE CHAMARAM DE ARTE CONCEITUAL, QUE GEROU APENAS CONFLITOS PARA ELES, PARECIA MAIS UM ESTADO DE DESEQUILIBRIO MENTAL E UM CULTO A PORNOGRAFIA.





O inferno apocalíptico vivido na sensibilidade artística do povo brasileiro, possui como herança, dois problemas graves: “a Decadência do ensino das Artes Plásticas e a adoção do Imperialismo da Moda Estética”. O gosto do povo brasileiro passa a ser menos autêntico do que o de muitos paises, porque a formação artística lhes foi negada e o poder de decidir o prazer estético lhes foi arrancado. A sociedade brasileira vive um mundo de ilusões, pois os ânimos artísticos são bloqueados logo cedo, os padrões impostos pela educação artística atual, geram uma cultura hipócrita, e a sensibilidade estética do cidadão se desenvolve naturalmente por um caminho paralelo à educação oficial de arte. Hoje ensinam-lhes que só devem seguir os moldes de arte das “escolas conceituais e das bienais internacionais”, mas para a maioria do povo, é bastante obvio não ter sentido artístico, já que os valores são impostos por ditaduras oficiais com modelos contemporâneos, aberrantes e deprimentes em relação a beleza natural, agredindo a sensibilidade espontânea. Sendo assim, o Brasil é um dos poucos paises do mundo a manter uma ditadura institucionalizada de padrões artísticos, a deturpação intelectual é muito visível para todos e só resta uma conclusão: a liberdade de expressão em nosso país não existe, ou se faz uma arte que é imposta pelo monopólio institucionalizado ou não se considera essa arte como verdadeira. Sendo assim: salve o artista plástico autodidata, aquele que não segue as normas oficiais do Brasil, pois poderá ser um grande representante da Arte Brasileira, por que: “O ENSINO DA ARTE NO BRASIL ESTÁ EM DECADÊNCIA!”

MUITAS ATIVIDADES DE ARTE JÁ ESTAVAM LONGE DE SEREM PLÁSTICAS, JÁ HAVIA UMA INFINIDADE DE EXPRESSÕES, ERAM MUITAS AVENTURAS, PORÉM, PARA PROTEGER  AS ABERRAÇÕES MUDARAM O NOME PARA, ARTES VISUAIS.


terça-feira, 29 de dezembro de 2009

QUANDO NÃO SE REFLETE, SE ENGOLE: NO BRASIL A ARTE MODERNA FOI POSTA EM PRÁTICA ATRAVÉS DE UMA DITADURA FORMALIZADA NA BURGUESIA, COM APOIO POLÍTICO.

O QUE A SEMANA DE ARTE MODERNA DE SÃO PAULO EM 1922, REPRESENTOU NO PANORAMA CULTURAL DO PAÍS?!? TERÁ SIDO APENAS MAIS UM ENGODO, FORMALIZADO COM AS ARTEMANHAS POLÍTICAS DO BRASIL?!?


SEMANA DE ARTE MODERNA DE 1922

Foi uma mostra do que imaginavam ser revolucionário no campo das artes e uma tentativa de mostrar a expressão do povo, em sua linguagem e sua cultura, assim foi realizada a Semana de Arte Moderna de 22. Encontro marcado com a alta sociedade do Estado de São Paulo.

Dentre os participantes, destacam-se: na literatura, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Ronald de Carvalho, Manuel Bandeira, Menotti del Picchia, Graça Aranha e outros. Nas artes plásticas sobressaem pintores como Di Cavalcanti, Anita Malfatti, e no campo da escultura, Vítor Brecheret. Muitos artistas da época não participaram deste evento, pois se tratava de um encontro da burguesia Paulista.

A maior expressão da música de vanguarda do Modernismo no Brasil é Heitor Villa-Lobos. A Semana de Arte Moderna insere-se num quadro mais amplo da realidade brasileira. Vários historiadores já a relacionaram com a “revolta tenentista” e com a “criação do Partido Comunista”, ambas de 1922. Embora as aproximações não sejam imediatas, foi visível o desejo de mudanças que acontecia no país, tanto no campo artístico, como no campo político.

Um dos equívocos mais freqüentes das análises da Semana de 22, consiste em identificá-la com os valores de uma classe média emergente. Ela foi patrocinada pela elite agrária paulista. E os princípios nela expostos adaptavam-se às necessidades da “refinada oligarquia do café”. Umas oligarquias cosmopolitas, cujos filhos estudavam na Europa e lá entravam em contato com o dito "moderno". Uma oligarquia desejosa de se diferenciar culturalmente dos grupos sociais. Enfim, uma classe que encontrava no jogo europeísmo (adoção do "último grito" europeu) - primitivismo (valorização das origens nacionais) - que marcaria a primeira fase modernista – a expressão contraditória de suas aspirações ideológicas.

Outro equívoco é considerar o movimento como essencialmente anti-burguês. O poema Ode ao burguês, de Mário de Andrade, e alguns escritos de outros participantes da Semana podem levar a esta conclusão. Mas nunca podemos esquecer que a burguesia rural apoiou os renovadores. E, além disso, toda crítica dirigia-se a um tipo de “burguesia urbana”, composta geralmente de imigrantes, inculta, limitada em seus projetos, sem grandeza histórica, ao contrário das camadas cafeicultoras, cujo nível de refinamento cultural e social era muito maior. Neste caso, os modernistas se comportam como aqueles velhos aristocratas que menosprezam a mediocridade dos "novos-ricos".
NA REALIDADE O QUE SE PASSOU FOI UM GRANDE PLAGIO

Paul Cezanne

Anita Malfatti

OBJETIVOS DA SEMANA DE ARTE MODERNA

- Contra o passadismo – como diz Aníbal Machado: “Não sabemos definir o que queremos, mas sabemos discernir o que não queremos”;
- Contra a rigidez formal, o hermetismo, o culto de rimas, o verso perfeito dos parnasianos;
- Contra a oratória, a eloqüência, a linguagem classicizante; procura de uma linguagem mais coloquial, mais próxima da língua falada;
- Contra o tradicional acadêmico;
- Seguindo fundamentalmente três preceitos: direito à pesquisa; estabelecimento de uma consciência nacional; atualização da inteligência artística brasileira.

A importância estética da Semana de 22 é realizada por jovens inexperientes, sob o domínio de doutrinas européias nem sempre bem assimiladas, conforme acentuam alguns críticos, ela significa também o atestado de óbito da arte dominante. O academicismo plástico, o romantismo musical e o parnasianismo literário esboroam-se por inteiro. Assumi-se a destruição da academia de Belas Artes, já sendo conduzida por mestres brasileiros, abala-se a estrutura da arte brasileira em seu potencial, apenas para satisfazer a euforia de uma minoria que dominava a mídia e a política no centro sul do Brasil, e estava de amores com as modas na arte européia.

OS ESTILOS ERAM COPIADOS DA EUROPA
Henri Rousseau

Tarsila do Amaral

Ela cumpriu a função de qualquer vanguarda: exterminar o passado e limpar o terreno. É possível, por outro lado, que a Semana de 22 não tenha se convertido no fato mais importante da cultura brasileira, como queriam muitos de seus integrantes. Há dentro dela, e no período que a sucede imediatamente (1922-1930), certa ironia superficial e enorme confusão no plano das idéias. Com efeito, os autores que organizaram a Semana colocaram a renovação estética acima de outras preocupações importantes. As questões da arte são sempre remetidas para a esfera técnica e para os problemas da linguagem e da expressão. O principal inimigo eram as formas artísticas do passado. Matar o passado para se vangloriar das mudanças culturais, que nunca aconteceram na verdade, ficou apenas a irônica modernidade fabricada, que não aconteceu, apenas, foi imposta por grupos dominantes, coisa que sempre foi comum no Brasil. Agora, com o passar dos tempos, pode-se refletir melhor, sobre a grande bobagem que foi esta Semana de 1922, pois atrasou a evolução da cultura artística nacional em décadas, e o Brasil ainda hoje, é viciado em plagiar a arte estrangeira.

A arte no Brasil, nunca esteve dependente desta casual Semana de 1922, mal compreendia pela maioria dos brasileiros, pois muitos dos grandes artistas modernos do Brasil não tiveram nenhuma ligação com tal fato, esta idéia foi proposta para, atualizar a intelectualidade brasileira em relação à Europa, mas pouco trouxe para a arte a não ser a mentalidade política de dominação cultural. Porém, tal processo, não elevou o valor da Arte como se imagina e não tardou a repetir-se o fato, com a criação da Bienal de Arte de São Paulo, onde se fez continuar “os monopólios na arte brasileira”.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

FARSA EM CIMA DE FARSA, EIS A QUESTÃO DA ARTE NO BRASIL. MERCADO MORTO PARA OS ARTISTAS PLÁSTICOS, O PIOR VIRÁ!


A DESGRAÇA DA CULTURA, ESTÁ OFICIALIZADA. O POVO JÁ VIVE UM DILEMA: SE TUDO É ARTE, ENTÃO PARA QUE ARTE?


São poucos que tentam falar sobre o que ver e dizer o que sente, pois a grande TEMPESTADE DE IDIOTISMO que inunda a mente da sociedade atual anula qualquer possibilidade de evolução. Na arte contemporânea, estamos vendo, principalmente no Brasil, uma guerrilha covarde e oculta, coordenada por elementos intitulados: “responsáveis por setores culturais do País”. Não precisamos ir muito adentro, para se ver a grande manobra que se faz na cultura brasileira, tudo através de órgãos acobertados pelo próprio governo. Tem-se a impressão de que tudo corre bem, mas, quando se investiga a questão a fundo, encontra-se a CARNIÇA ESCONDIDA, por traz de Instituições Públicas, Museus, Universidades e outros Órgãos. Não passa de um imenso cartel, de pessoas aventureiras e artistas frustrados, famintos por empregos de origem eleitoreira ou concursos acobertados, erguendo-se majestosamente em instituições culturais, como diretores, coordenadores, secretários de departamentos ligados diretamente à cultura do país, sangrando a economia do país, levando todas as espécies de vantagens sobre o dinheiro dos impostos do povo brasileiro. A crise da consciência artística é mundial, mas se podermos apenas, ver o que está acontecendo no Brasil, já se poderia salvar uma grande quantidade de almas, “a condenação ao extermínio”, pois quem levará a pior, são os bons artistas, intelectuais que lutam por uma arte séria, sem farsas e sem hipocrisia.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

EXISTE UMA GRANDE AVALANCHE DE “COISAS”, QUE SÃO COLOCADAS NO ALTAR DA ARTE CONTEMPORÂNEA, APOIADAS POR FORÇAS OCULTAS.


Entrevista com Ferreira Gullar, um dos maiores críticos de arte do Brasil, que foi realizada pela Folha de São Paulo, em 18 de abril de 1993. Ferreira Gullar é autor do livro “Argumentação contra a morte da Arte” e é entre muitos nomes da Intelectualidade Brasileira, quem sabe mostrar a avalanche de porcarias produzidas pelos artistas contemporâneos, e que a nossa sociedade, está sendo imposta a ver e consumir.

Folha - O ponto de partida de sua "Argumentação contra a morte da arte" é a rejeição da idéia de que a arte evolui. Mas não existe de fato um aprimoramento técnico em certas linhagens?

Gullar - O que critico é essa supervalorização da idéia de evolução, que é o princípio da vanguarda. Quer dizer, valores estéticos não contam; só conta a novidade. Acontece que a idéia de vanguarda acabou. Esse princípio da inovação conduziu a um impasse e este aos absurdos que estão aí. Então a arte acabou!? Não há nada de novo para fazer. Claro, falo do novo pelo novo que é uma coisa autofágica. O novo é inerente à grande arte; nenhum poeta digno quer fazer o que já foi feito. Ele tem uma proposta, não quer dizer o que está dito.

Folha - Mas quais seriam esses "valores" estéticos?

Gullar - Permanência. É isso que é arte: a busca de fundar o permanente. Chegou-se, nas últimas décadas, ao cúmulo de criar a "arte do efêmero" do "perecível", o que é uma contradição em termos. O artista busca o permanente para assim motivar a realidade. Vou dar um exemplo. O Ibac está doando obras para o acervo do Museu Nacional de Belas Artes em breve. Outro dia encontramos lá uma coisa, que é um pedaço de ferrolho que era emendado com um pedaço de borracha. Não sei quem é o autor. Que vou fazer? Cadê o pedaço de borracha, como era a emenda? Esses caras negam a permanência da obra de arte, mas eles acreditam na "sublimidade" da arte, em que não acredito absolutamente. É só botar o ferrolho lá, que vem outro cara e escreve uma lauda complicadíssima. Transformamos o mundo de duas maneiras: ou poeticamente ou simbolicamente. Essa gente destrói a linguagem visual, mas consagram a verbal. Que revolução há nisso?

Folha - O público não gosta da arte contemporânea. O problema está nele, que não gosta da arte que exige esforço e conhecimento, ou isso é genuíno?

Gullar - Esse público se divide em dois. Existe o cara de cabeça acadêmica, que ainda não entendeu Picasso, e tenta nos imputar seu preconceito. E existe o outro lado: o cara que chegou a Picasso, Matisse, mas não é um estudioso de arte, não é um teórico, e portanto não entende nada.

Folha - Por que o sr. acha que as artes plástica, especificamente, descambara em tanta fajutice?

Gullar - Não sei. É uma boa pergunta, sempre me indago isso. Em todos os outros campos da atividade artística, o vanguardóide foi superado. Quando a coisa ameaça a própria natureza da expressão, há a percepção disso. todos reconhecem a arte, o gênio de "Finnegans Wake", de Joyce, mas ninguém vai tomar aquilo como exemplo, como modelo. Por que na pintura não se deu isso? Realmente não sei. Presumo que há um problema institucional. Bienais, centros culturais, os especialista, eles não se lixam para o público. Formam uma gangue, uma seita, que pouco se lixa para a sociedade. E o Estado paga isso; não entendo.

Folha - O que o sr. pensa "dois" gurus: um da geração anterior, Hélio Oiticica, outros desta, Cildo Meireles?

Gullar - Acho que exageram a importância de Hélio Oiticica. Ele foi vítima de um radicalismo; não é por acaso que se entregou às drogas no fim da vida. Lygia Clark foi mais importante, apesar de todo o talento do meu amigo Hélio. Os "Parangolés" só existem como teoria. Eu fui um desses teóricos, até que um dia senti um vazio debaixo dos pés. Cildo Meireles também tem talento. Vi uma instalação dele no começo da carreira que era bem interessante, criava uma atmosfera forte, tinha subjetividade. Mas das últimas coisas não gosto, não. Esse cerebralismo duchampiano teve sentido em determinada época, mas subsiste como arte.

A VERDADE NÃO SE APAGA E A LÓGICA NUNCA É DESTRUIDA, A ARTE CONTEMPORÂNEA É VISIVELMENTE UMA ANEDOTA, UMA FARSA DIANTE DO GOSTO DA HUMANIDADE.


Para termos uma pequena demonstração sobre a decadência das propostas artísticas de hoje, ao ouvirmos palavras de pessoas de grande potencial analítico e opiniões de grandes críticos de arte, chegamos a crer, que na atualidade, existe um desvio completo na percepção dos indivíduos da sociedade. Um mecanismo sem total coerência que leva ao entorpecimento de indivíduos da era da computação. Mostramos aqui, entre muitas opiniões existentes, a “falha intelectual da nova sociedade”, uma prova de que existe algo podre no ar. Mostramos aqui, uma entrevista, realizada pela Revista Veja, em 25 de abril de 2007, com o australiano Robert Hughes, de 68 anos, o mais conhecido crítico de arte vivo. Por três décadas, ele foi editor da revista americana Time. De Nova York, onde vive com a mulher, a pintora Doris Downes, Hughes concedeu uma entrevista em que exalta os mestres do passado, condena o mercado de arte de hoje e fala sobre seu acidente.

Veja – O senhor escreveu sobre assuntos tão variados quanto a arquitetura de Barcelona e a história da Austrália, mas o único artista ao qual devotou um livro individualmente foi Goya. Por que ele é tão especial?

Hughes – Como todo grande artista, o primeiro dado essencial sobre Goya é que sua obra extrapola seu tempo. Por meio de sua trajetória e de suas idéias, pode-se entender melhor a história da Espanha e da Europa. Mas não só. Mais que qualquer outro pintor, Goya nos permite obter um conhecimento profundo da natureza dos sentimentos e da idéia de justiça, assim como de seus reversos, a injustiça e a crueldade. Nós vivemos num mundo de ironias extremas e de paixões e agressões tão desatinadas quanto as de que trata Goya. A loucura de que ele nos fala é universal e atemporal. Apesar de representar tanto para a arte, ainda faltava um livro que o alçasse à sua devida dimensão. Julguei que era uma tarefa importante fazê-lo.

Veja – O senhor concebeu a obra quando se recuperava de um acidente de carro quase fatal que sofreu em seu país, a Austrália. De que forma isso o influenciou?

Hughes – Volta e meia, sou acometido por vívidas recordações daquilo que se passou em minha cabeça naqueles dias difíceis. Tive alucinações e sonhos absurdos. Se fosse um pintor, certamente teria vasto material para me inspirar. Eu renasci depois do acidente. Ele me levou a conhecer a experiência da dor. E também a sentir o medo da morte como algo concreto. Isso tudo sem dúvida se refletiu no livro. Hoje, acredito que um escritor que não conhecesse o medo, a dor e o desespero não teria uma visão completa do universo de Goya. Não estou dizendo, é óbvio, que seja necessário quase perder a vida num acidente para entender um artista. Mas isso certamente facilitou a apreciação da matéria-prima de sua obra, o sofrimento.

Veja – Em seu recém-publicado volume de memórias, o senhor conta como uma viagem a Florença durante a enchente que destruiu boa parte da cidade italiana e de seus tesouros, em 1966, fixou sua crença no valor do passado para a arte. Por que chegou a essa conclusão?

Hughes – Em Florença, vivi a experiência de encontrar destroços de peças renascentistas em meio à lama, uma tragédia que me fez compreender de uma vez por todas que aquilo que foi criado no período de ouro da arte é insubstituível. Não apenas porque não se poderiam refazer tais obras. Vivemos numa era muito pobre em matéria de artes visuais. Hoje se podem encontrar bons escultores e pintores, mas a idéia de que a arte atual possa um dia se igualar às enormes realizações do passado é um disparate. Nenhuma pessoa séria, por mais que se empolgue com a arte contemporânea, poderia acreditar que ela um dia será comparada àquilo que foi feito entre os séculos XVI e XIX.

Veja – Como as pessoas podem se relacionar com a obra dos grandes pintores do passado?

Hughes – Olhando para o que eles produziram. Aprendendo a entender e a amar sua arte. Os mestres da pintura se relacionam a nós da mesma forma que as grandes obras literárias e as composições musicais do passado. Como o homem atual pode se relacionar com Cervantes? Por meio da leitura de sua obra. Dom Quixote continuará sendo uma história contemporânea em qualquer tempo e lugar. É preciso ter em mente que a arte é feita antes de tudo para deliciar os olhos e o espírito. É por meio desse apelo intuitivo que ela nos arrebata e conduz, no fim das contas, a um conhecimento mais profundo de nossa natureza.

Veja – Qual o papel das artes plásticas na formação cultural de uma pessoa?

Hughes - Não recomendo que se olhe para os grandes artistas com o intuito de atingir um nível cultural superior, pois, como já disse, o objetivo maior da arte é dar prazer. Mas posso falar de seu caráter enriquecedor pela minha própria experiência. Muito antes de eu me tornar um crítico, a arte desempenhou um papel fundamental em minha vida, na medida em que me fez entender certas questões existenciais mais claramente do que qualquer livro ou aula teórica o fariam. Seria um exagero dizer que se pode educar alguém por meio da arte. Mas ela é capaz de fazer de nós pessoas melhores e mostrar que existem muitos mundos além do nosso umbigo.

Veja – Certas correntes do modernismo difundiram a idéia de que o passado é um peso do qual a arte precisa se livrar. O que o senhor pensa disso?

Hughes – A noção de que há uma oposição entre o presente e o passado é estúpida. Trata-se de uma deturpação vulgar do ideário modernista de primeira hora. Ele consistia em questionar o tradicionalismo, mas não a herança dos antigos mestres. Os futuristas italianos, é verdade, chegaram a propor a destruição das obras de arte criadas no passado – como se fosse possível apagar sua influência apenas com sua extinção por meios físicos. Mas o fato é que toda arte digna de nota feita no século XX se baseou no passado. Os modernistas que realmente importam, como Matisse e Picasso, nunca se pautaram por sua rejeição. Muito pelo contrário: as fontes de que extraíram sua inspiração foram os artistas da Renascença e do século XVIII.

Veja – O senhor teve contato pessoal com artistas como o americano Andy Warhol. Quais suas impressões dele?

Hughes – Warhol foi uma das pessoas mais chatas que já conheci, pois era do tipo que não tinha nada a dizer. Sua obra também não me toca. Ele até produziu coisas relevantes no começo dos anos 60. Mas, no geral, não tenho dúvida de que é a reputação mais ridiculamente superestimada do século XX.

Veja – E quanto ao francês Marcel Duchamp?

Hughes – Foi um prazer conhecê-lo, embora certamente não seja o primeiro artista em minha lista dos mais importantes de sua época. Sua elevação à condição de figura nunca me convenceu. Já vi de perto todos os trabalhos que ele fez e nunca obtive nenhum prazer com eles. Duchamp não foi um grande artista, e sim um homem de idéias notáveis. Pessoalmente, prefiro um pintor como o francês Pierre Bonnard. Muita gente considera Duchamp um deus e Bonnard um impressionista enfadonho. Mas eu gostaria muito mais de ter em casa um de seus belos quadros do que um trabalho de Duchamp. Além disso, a influência de Duchamp sobre a arte contemporânea foi liberadora, mas também catastrófica.

Veja – Por quê?

Hughes – Porque ser o pai dessa bobagem chamada arte conceitual não é uma distinção de que se orgulhar. Para compreender o tamanho do estrago, basta dizer que sem ele hoje não haveria as chamadas instalações, aquelas obras tolas em que o espectador é convidado a passar por túneis e outros recursos infantis. Ou precisa ler uma bula para entender o que o artista quis dizer.

Veja – Nos últimos anos, obras de grandes artistas atingiram preços astronômicos em leilões. O que explica que se paguem 104 milhões de dólares por uma tela de Picasso?

Hughes – Francamente, não consigo imaginar uma boa razão. Os preços se tornaram tão obscenos e sem sentido que, a meu ver, só podem ser resultado de algum tipo de doença social. As pessoas que se sujeitam a pagar tanto por um quadro são movidas por motivações ridículas, como ostentar seu prestígio e poder. Não compactuo com essa insanidade.

Veja – Não há arte que valha tanto assim?

Hughes – Para mim, nem a maior obra-prima. A supervalorização atende aos interesses de certos marchands e colecionadores, mas é danosa para a arte. Passa-se a valorizar um artista ou tendência em função de seu cacife no mercado, e não da importância de suas realizações. Além disso, sua transformação em bem de consumo de luxo muitas vezes dificulta que um dia o grande público possa contemplá-las em museus.

Veja – Nas últimas décadas, o interesse pelas artes plásticas parece ter diminuído – desde sua saída da Time, por exemplo, a revista não tem dado o mesmo destaque ao tema. A arte perdeu sua centralidade?

Hughes – É triste, mas o fato de as pessoas terem obsessão pelos altos preços pagos por quadros famosos não significa que elas queiram saber algo mais sobre arte em si. Ela passou a ser vista apenas como um item a mais no cardápio do entretenimento, como as atrações do cinema e da TV. E também a ser avaliada com base nos mesmos parâmetros. Fala-se de um artista não por sua relevância, e sim pelo valor que suas obras atingem – como se fosse o orçamento milionário de um filme. Ou então por sua popularidade – como se fosse o índice de audiência de um programa.

Veja - É uma visão distorcida.

Hughes – É claro que sim. Daqui a vinte anos, veremos quanto se pagará pelas obras de um sujeito como Hirst – que, aliás, não me interessam nem um pouco. Hirst e outros de sua geração fazem do escândalo uma arma de marketing. Mas um renascentista como Piero della Francesca conseguiu ser radical num nível que ele nunca passou nem perto de alcançar.

Veja – O que o senhor pensa desse esforço dos curadores de museus para transformar as exposições em entretenimento para as massas?

Hughes – Não sou contra o entretenimento, em princípio. Só penso que não é função do museu preocupar-se em produzir eventos com esse fim. Há mostras maravilhosas que calham de ser realmente populares. Só que pode haver outras também maravilhosas, mas que não têm tanto apelo – e é saudável que os museus continuem lhes dando espaço. É impossível determinar a qualidade de uma exposição em função de seu sucesso de público.

Veja – Para alguns especialistas, eventos como as bienais de São Paulo e Veneza tornaram-se obsoletos. O senhor concorda?

Hughes – Não ligo a mínima para bienais, trienais, quadrienais ou coisas que o valham. Elas hoje têm relevância apenas para os negociantes de arte. Por baixo da fachada novidadeira, a maioria desses eventos se transformou em feiras vulgares. Nunca estive na Bienal de São Paulo. Mas a de Veneza eu conheço bem. Alguns anos atrás, fui convidado a colaborar com seus organizadores e me vi em tal pesadelo que renunciei a meu posto. Já que é tudo comércio, melhor deixar para quem entende disso.

Veja – Países relativamente novos como o Brasil e a Austrália estão destinados a ter sempre um papel secundário na arte?

Hughes – Não direi que será sempre assim. Mas eles enfrentam um problema e tanto: não têm controle sobre o mercado. Parece-me inusitado que a Austrália amargue uma presença próxima do zero na arte mundial enquanto qualquer porcaria que se produz na Califórnia logo alcança visibilidade. A atmosfera do circuito internacional de arte é corrupta, já que se vive de criar modismos e falsos novos gênios para faturar. Essa é uma das razões pelas quais eu me aposentei como crítico. Prefiro me concentrar em alguns artistas cujo trabalho realmente importa a ver minhas resenhas sendo usadas para inflar as cotações alheias. O presente, em arte, é sempre um terreno pantanoso e sujeito aos golpes de marketing. Tome-se como exemplo o carnaval que se faz no momento a respeito da arte chinesa. A maior parte do que se convencionou rotular de pós-modernismo chinês é apenas uma empulhação bem promovida pelos marchands e casas de leilões. As vítimas deles são os colecionadores novos-ricos que pululam pelo mundo afora e compram tudo o que vêem pela frente. Eles podem ter dinheiro, mas não passam de idiotas e vítimas da moda.

Veja – Antes de se tornar um crítico, o senhor atuou como cartunista e também pintava. Há alguma verdade no velho clichê de que todo crítico é um artista frustrado?

Hughes – Absolutamente nenhuma. Eu me considero um artista completo, nem um pouco frustrado. Minha arte é escrever. Nunca tive inveja dos artistas nem escrevi nada com o intuito de me vingar deles.

Veja – O senhor coleciona arte?

Hughes – Não, por incrível que pareça. Tenho algumas gravuras de Goya que adquiri ainda na juventude e também telas de minha mulher, Doris. Mas nunca fui um colecionador. E vou lhe dizer por quê: logo descobri que, como crítico, isso não seria ético.